Em 2011, a ONG inglesa Plan International lançou a proposta do que hoje é conhecido como Dia Internacional da Menina. Um anos depois, em 2012, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

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Tudo começou com a campanha “Por Ser Menina”, uma forma de alertar a população mundial sobre a realidade a qual muitas garotas são submetidas diariamente. Você sabia, por exemplo, que quase um bilhão de meninas não têm acesso ao ensino profissional? E que cerca de 60 milhões não têm sequer o direito de ir à escola? Todos esses dados fazem parte de levantamentos realizados pela Malala Fund, fundação criada por Malala Yousafzai, que, aos 14 anos, foi baleada na cabeça por um grupo de extremistas que é contra a educação de meninas paquistanesas.

Você, jovem brasileira, pode achar que essa realidade é muito distante da sua. Na verdade, não é. O Brasil é uma país muito grande, mas isso você já deve saber, certo? Neste instante, há garotas querendo estudar, mas não tendo condições financeiras e/ou sociais para isso. Como assim? Em cidadezinhas do interior, principalmente da região Nordeste e Norte, crianças precisam escolher entre estudar ou trabalhar. Escolher é uma forma de suavizar a situação. Elas sequer têm essa escolha. Ocupando a 9ª posição no ranking mundial de miséria, elas não podem se dar ao luxo de se alimentar de conhecimento no Brasil – não quando ela e suas famílias não conseguem se alimentar de comida.

É preciso sair da zona de conforto, mesmo que mentalmente, para compreender a realidade do outro. Pode ser fácil achar que desigualdade não existe ou é algo que se aprende no colégio quando você faz as três refeições por dia e ainda pode se dar ao luxo de dizer: “não estou com fome hoje” ou “tô irritada, não quero comer, vou fazer greve”.

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Outra questão que a Plan Internacional chama a atenção é para a quantidade assustadora de meninas que sofrem abusos sexuais ainda na infância. Muitas, inclusive, chegam ao ponto de se prostituirem em troca de alimentos. No Brasil, 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes, segundo dados do Sinan (Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde). Em 2014, a cada 11 minutos, uma denúncia de estupro era feita. Mas se apenas 10% dos casos chegam à Justiça, como ter controle dos outros que não são oficialmente relatados? É um desafio.

O Dia Internacional da Menina é uma data para você comemorar, sim, suas conquistas e seus direitos como garota, e ir atrás de tantos outros, mas também é um momento de sair de caixinha, refletir, pensar naquela jovem que tem a mesma idade que você, talvez até os mesmos sonhos e as mesmas vontades, mas uma realidade tão diferente.