Twitter divulga medidas para evitar fake news nas eleições de 2018

Um dos focos será a verificação de contas de candidatos e partidos, de modo a coibir perfis falsos.

Diferentemente do Facebook e do Google, o Twitter não irá veicular anúncio eleitoral.

O Twitter divulgou nesta semana um comunicado com as medidas para as
eleições deste ano. A plataforma, assim como Facebook, Google, Instagram
e Whatsapp, vem buscando respostas em razão de preocupações com
possíveis problemas e influências negativas no debate público, como a
disseminação das chamadas notícias falsas ou de mensagens de ódio.

Na nota, a empresa afirmou que tem como objetivo “promover um
ambiente cada vez mais saudável na plataforma”. Um dos focos será a
verificação de contas de candidatos e partidos, de modo a coibir perfis
falsos que possam divulgar informações e causar confusão nos eleitores.

Além dessa verificação, a própria rede social irá organizar sessões
de perguntas e respostas com os candidatos, com o intuito de “facilitar o
contato direto entre os candidatos e seus eleitores”. A companhia
anunciou que firmou parceria com alguns veículos de mídia – como Band,
RedeTV, Estadão, Rádio Jovem Pan, Revista Istoé e Catraca Livre – para a
transmissão pela plataforma dos debates com os concorrentes à
Presidência da República e aos governos de São Paulo e do Rio de
Janeiro.

Contas automatizadas

Uma das medidas destacadas pela empresa é o combate ao que a empresa
chama de “contas automatizadas mal-intencionadas e/ou que
disseminam spam”, perfis falsos ou os chamados robôs (ou bots, no termo
em inglês popularizado). Os robôs são vistos como um dos meios de
disseminação de notícias falsas e um dos problemas na rede social,
embora estudo recente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT,
na sigla em inglês) tenha apontado o grau de difusão de fake news por essas contas semelhante ao de humanos

Segundo a assessoria de empresa, também foram realizadas ações como o
aprimoramento do processo de abertura de contas, auditorias em contas
já existentes e a expansão de detecção de “comportamento
mal-intencionado”. O número de contas contestadas mensalmente subiu de
2,5 milhões em setembro de 2017 para 10 milhões em maio de 2018. A média
de denúncias de spam recebidas pela plataforma diminuiu de aproximadamente 25 mil por dia em março para cerca de 17 mil por dia em maio.

Levantamento

Segundo levantamento realizado pela empresa com seus usuários, 70%
dos mais de dois mil entrevistados disseram usar a plataforma para se
informar sobre política nessas eleições. Deste universo, 47% afirmaram
fazê-lo frequentemente e 22% de vez em quando.

Mais de 60% avaliaram que a divulgação de mensagens pelos candidatos
em seus perfis será importante para a decisão do voto. Entre os
indecisos, 79% comentaram que vão conhecer as ideias dos concorrentes
por suas contas para definir sua escolha.

Propagandas vetadas

Diferentemente do Facebook e do Google, o Twitter não irá veicular
anúncio eleitoral. Este será o primeiro ano em que este tipo de
propaganda eleitoral será permitida. A empresa anunciou a decisão em
maio e justificou-a pelo fato de não ter os meios tecnológicos para
atender às exigências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em sua resolução sobre as eleições, o TSE estabeleceu que os anúncios
só podem ser veiculados por candidatos ou partidos e que devem trazer a
identificação de seus patrocinadores, bem como o CPF (no caso do
concorrente) ou CNPJ (no caso da legenda).