Médico usava próprio sêmen em pacientes da clínica

Médico usava próprio sêmen em pacientes da clínica
Quimono/ Pixabay

Um tribunal de Roterdã, na Holanda, autorizou nesta quarta-feira (13) um grupo de 47 pessoas a realizar testes de DNA a partir das amostas do médico holandês, Jan Karbaat, que foi diretor de uma clínica de reprodução assistida e supostamente utilizou seu próprio esperma para inseminar dezenas de mulheres.

Os litigantes, frutos de inseminação artificial, suspeitam que Karbaat, falecido em 2017 aos 89 anos, era o pai biológico porque suas mães foram tratadas na clínica de doadores de esperma em Barendrecht, perto da cidade portuária de Roterdã, e consideram que se parecem com o ex-diretor.

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Segundo o juiz, o grupo de potenciais descendentes demonstrou evidências suficientes de que poderiam ser filhos de Karbaat e tem direito a ter acesso ao DNA de seu possível pai biológico para comprovar a suspeita.

O grupo poderá realizar os testes de paternidade imediatamente e não tem que esperar uma decisão da Justiça em caso de um recurso dos familiares, especialmente da viúva, que se opôs desde o princípio a comparar o DNA de seu marido falecido com o dos possíveis filhos e, da mesma forma que Karbaat, rejeitou qualquer responsabilidade.

Suspeita-se que o médico possa ter inseminado centenas de mulheres com seu próprio sêmen devido à escassez de doações durante a época na qual ele dirigia a clínica Bijdorp, de Barendrecht.

Um tribunal permitiu a investigação do DNA de Karbaat em 2017, o que levou à apreensão de dezenas de artigos de uso pessoal e à criação de um perfil de DNA do ex-diretor da clínica.

No entanto, o resultado permanece na caixa-forte de um cartório desconhecido à espera de uma decisão judicial que permita compará-lo com o dos interessados.

Em entrevista em 2016, Karbaat afirmou que misturava o sêmen de vários doadores porque isso aumentava a possibilidade de a paciente ficar grávida. No entanto, sempre rejeitou se submeter aos testes de DNA para comprovar as suspeitas e qualificou as mulheres de “mães insatisfeitas com o resultado” da inseminação.