O primeiro SUV da história da Bentley, marca britânica de Crewe, recebe um novo motor, o mais acessível do leque de opções a gasolina: falamos-lhe do “modesto” V8 de 550 CV.
De acordo com um estudo realizado em Inglaterra, o proprietário de um Bentley possui, em média, outros cinco automóveis na sua garagem, entre eles um Range Rover. Assim, não é de admirar que não tenha problemas em apetrechá-lo com muitos e dispendiosos equipamentos de luxo e requinte, conceito a que este Bentley se presta de forma exaustiva.
Mas, voltemos um pouco atrás. O construtor de Crewe lançou-se no segmento dos SUV em 2015 com um motor W12. Em 2017, o Bentayga ganhou um bloco Diesel de 435 CV. Depois de ser desvendado numa versão híbrida no Salão de Genebra deste ano, eis que chega agora ao mercado com um V8 biturbo a gasolina que debita 550 CV.
Suficiente?
Dado o extraordinário peso do Bentayga, um clássico e popular “4 cilindros” não seria bem-vindo. Mas com este V8 4.0, que também faz parte da gama do Porsche Panamera Turbo e do Cayenne Turbo, este Bentley não tem com que se preocupar. O V8 tem dois turbos de dupla entrada e 770 Nm de binário disponíveis a partir das 1.960 rpm. O resultado? 290 km/h de velocidade máxima. De referir que utiliza o conceito “Cylinder on demand”, ou seja, desliga quatro cilindros a velocidades mais moderadas numa tentativa de ser mais económico.
Se o compararmos com a versão W12 de 609 CV, o V8 pesa menos 52 kg, e consome em média menos 1,7 l/100, segundo os dados oficiais. Não que o proprietário de um Bentley esteja preocupado com o consumo, mas, quanto menos tempo se parar para abastecer… melhor. A autonomia, estimada em 640 km com o W12, passa assim para os 740 km. Este poderá ser um dos seus bons argumentos.
Ao volante, este Bentayga é exemplar, graças à redução do peso no eixo dianteiro. Apesar de continuar a pesar perto de 2.500 kg, consegue ser mais dinâmico com este V8.
Entre um GT e um SUV 
Combinação perfeita entre um GT e um SUV, o modelo britânico conta com tração integral e modos de condução (opcional por 5.010 €), embora até dê pena aventurarmo-nos fora do alcatrão. Por isso, o melhor é mantermo-lo na estrada, ambiente onde se sente como peixe na água, mesmo sendo “gigante” nas dimensões. É um verdadeiro navio sobre rodas.
O conforto, com as jantes de 21″, é notável, suave e sereno, especialmente em bom piso. Quando este se degrada, nem a suspensão dinâmica lhe vale. O Bentayga torna-se mais seco e sentem-se no habitáculo as imperfeições do asfalto, uma lacuna que pode ser melhorada com a suspensão Dynamic Ride (3.925 €), que conta com barras anti rolamento ativas alimentadas por um sistema de 48V dedicado e que garante um comportamento imperturbável em curvas, ainda assim não estamos perante nenhum desportivo de gema.
O seu peso acaba por afetar as passagens rápidas em curva. O motor responde sem pestanejar, contudo, a caixa automática de oito velocidades parece ser sempre um pouco mais lenta do que o desejado, mesmo em modo Sport. Neste caso, as patilhas no volante acabam por facilitar as passagens e consegue-se uma condução mais interativa. Os travões carbocerâmicos de 440 mm no eixo dianteiro e de 370 mm no eixo traseiro conseguem imobilizá-lo com uma eficiência impressionante.
Qualidade nota 10
Lá dentro, brilha o acabamento Split D, mas, como é habitual no construtor, as opções de personalização são quase tão infinitas como as possibilidades económicas de quem compra.
O requinte, a qualidade e o bom gosto estão bem patentes em pormenores tão deliciosos como o relógio da Breitling em madrepérola, os pespontos a amarelo na pele castanha, que superam em sofisticação o acabamento do exterior, e na madeira de carvalho baça ou brilhante que desponta no tablier e nos painéis das portas. Este é um Bentayga de quatro lugares com ajustes elétricos em cada banco, ventilação e aquecimento. A sensação de espaço e amplitude está assegurada para reforçar ainda mais o conforto de rolamento.
A posição de condução é muito boa, com um volante pequeno, forrado numa incrível pele castanha, mas com um desenho que não nega a sua origem, os Audi A5 e A7. A visibilidade para o exterior sai beneficiada pela enorme superfície vidrada, enquanto a bagageira, de 484 litros, é algo limitada para as dimensões do modelo.
Dar à chave é sinónimo de carregar num botão da consola central junto aos modos de condução. O V8 acorda de forma serena, sem grande ruído. A resposta do motor é progressiva e convincente à medida que sobe de rotação. A assistência elétrica da direção tem o peso q.b. e vai aumentando à medida que a velocidade sobe ou que se troca o modo de condução.
Mas, quer se queira quer não, o ambiente onde o Bentayga mais brilha é mesmo em autoestrada e em modo Confort, com baixo ruído de rolamento e aerodinâmico, excelente estabilidade direcional e a suspensão a marcar pontos. Afinal de contas é esta a utilização mais comum para um modelo cujo preço arranca nos 240.117 euros e que pode ser recheado com uma infindável lista de opcionais, como prova a nossa unidade de teste.
Texto Ricardo Carvalho
Fotos Paulo Calisto
CONCLUSÃO
Com motor V8, o Bentayga ganha essencialmente mais autonomia que o W12, até porque as diferenças em termos de prestações não são assim tão evidentes. Tem a vantagem de ser mais barato que este, mantendo todo o requinte, qualidade de construção e bem-estar a bordo que a marca tão bem sabe fazer. Tendo em conta o peso, este Bentley revela, até certo ponto, uma agilidade surpreendente.
FICHA TÉCNICA
BENTLEY BENTAYGA V8
TIPO DE MOTOR Gasolina, 8 cilindros em V, twinturbo
CILINDRADA 3.996 cm3
POTÊNCIA550 CV às 6.000 rpm
BINÁRIO MÁXIMO 700 Nm às 1.960 rpm
V. MÁXIMA 290 km/h
ACELERAÇÃO 4,5 (0 a 100 km/h)
CONSUMO 11,4 l/100 km (misto)
EMISSÕES CO2 260 g/km
DIMENSÕES (C/L/A) 5.140 / 2.000 / 1.740 mm
PNEUS285/45 Z21
PESO 2.388 kg
BAGAGEIRA 484 l
PREÇO 322.117 €
GAMA DESDE 240,117 €
I.CIRCULAÇÃO (IUC) 903,0 €
LANÇAMENTO Setembro de 2018






O post Teste – Bentley Bentayga V8 – O aristocrata de Crewe aparece primeiro no Revista Carros & Motores.