No próximo dia 25 de junho, o traficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán deverá ser condenado à prisão perpétua, após ser considerado culpado de todas as acusações em seu julgamento em Nova York (EUA). O destino do chefão do cartel de Sinaloa, que escapou duas vezes de prisões de segurança máxima, será cumprir sua sentença na penitenciária de segurança ‘supermáxima’ de Florence, no Colorado. O local abriga 400 dos homens mais perigosos do país. Conheça alguns deles

O francês Zacarias Moussaoui, 50, foi condenado em 2005 a seis sentenças de prisão perpétua por ter ajudado na organização dos atentados de 11 de setembro de 2001. Ele se declarou culpado de ter ajudado os terroristas que sequestraram e atiraram aviões contra o World Trade Center e o Pentágono a conseguir aulas de voo, além de ter levantado dinheiro para cobrir seus gastos

Em 10 de outubro de 2001, menos de um mês após os ataques contra o WTC e o Pentágono, o mundo conheceu Sulaiman Abu-Ghaith. Ele apareceu em um vídeo condenando a invasão do Afeganistão pelos EUA e prometendo mais derramamento se sangue. Casado com uma das filhas de Osama bin Laden, ele se tornou um dos principais porta-vozes da al-Qaeda até ser preso na Jordânia em 2013. Extraditado aos EUA, ele foi condenado à prisão perpétua por terrorismo no ano seguinte

Autor do primeiro atentado contra o World Trade Center em 1993, o paquistanês Ramzi Yousef é um dos presos mais antigos da penitenciária de Florence. Foi ele quem projetou e construiu a bomba de 600kg que detonou em um caminhão na garagem da antiga torre Norte do WTC. A ideia era que a explosão derrubasse o prédio sobre a torre sul, matando mais de 200 mil pessoas. O artefato não teve a força necessária, mas ainda assim matou 6 pessoas e deixou mais de 1000 feridos

Não são apenas terroristas ligados a organizações islâmicas que enchem as celas em Florence, há muitos “made in USA” também. O norte-americano Terry Nichols foi quem auxiliou Timothy McVeigh no planejamento e execução do atentado a bomba contra um prédio do governo federal dos EUA em Oklahoma City, em 19 de abril de 1995. A explosão destruiu um terço do prédio, matou 168 pessoas e feriu outras 680. McVeigh foi executado em 2001, enquanto Nichols cumpre 168 penas de prisão perpétua no Colorado

Theodore Kaczynski é talvez o mais famoso terrorista norte-americano. Conhecido como “Unabomber”, ele cometeu pequenos atentados entre 1978 e 1995, usando pacotes explosivos que ele enviava pelo correio ou entregava pessoalmente. No total, 3 pessoas morreram e 23 ficaram feridas nas detonações de 16 artefatos diferentes. Seu objetivo era causar o caos e uma revolução que fizessem o avanço tecnológico em seu país parar. A tecnologia, afirmou ele em um manifesto, era responsável por muito “sofrimento psicológico” nas pessoas

Membro de um grupo extremista cristão chamado “Exército de Deus”, Eric Rudolph foi quem planejou e executou um atentado a bomba em um show no Centennial Park, em Atlanta (EUA), durante a realização dos Jogos Olímpicos, em 27 de julho de 1996. Após ser preso em 2003, ele também confessou ter explodido bombas caseiras em duas clínicas de aborto e um bar voltado para o público homossexual entre 1997 e 1998. Após se declarar culpado, ele escapou de ser julgado e condenado à pena de morte, e cumpre prisão perpétua em Florence

Nascidos no Quirguistão, Dzokhar Tsarnaev e seu irmão, Tamerlan, foram responsáveis pelas explosões de duas bombas caseiras na linha de chegada da Maratona de Boston em 15 de abril de 2013. As detonações mataram 3 pessoas e feriram outras 264. Os irmãos Tsarnaev ainda mataram um policial durante a fuga. Tamerlan foi morto em um tiroteio com a polícia e Dzokhar foi preso e condenado à morte em 2015. Ele aguarda sua execução no Colorado

Antes do cartel de Sinaloa, liderado por Chapo, se tornar um dos maiores do México, o crime organizado do país era comandado de fato pelo temido cartel do Golfo. Fundada nos anos 1930, a organização é responsável por crimes de praticamente todos os tipos em solo mexicano e no exterior. Um de seus principais líderes, Osiel Cárdenas Gúllen, foi preso em seu país natal e enviado para os EUA em 2007. Ele vive em Florence desde então

Os crimes de Robert Hanssen são considerados o “maior desastre da história da inteligência norte-americana”. Ex-agente especial do FBI, ele vendeu segredos dos EUA para a KGB de 1979 até o colapso da União Soviética, em 1991. Depois disso, continuou entregando planos, identidades de agentes secretos e outros documentos para o serviço secreto russo até finalmente ser identificado e preso em 2001. Dezenas de agentes infiltrados foram mortos por ações de Hanssen, que foi condenado à prisão perpétua

O supremacista branco Thomas Silverstein é, literalmente, a razão de existir a penitenciária ‘supermáxima’ de Florence. Membro de uma gangue de condenados chamada Irmandade Ariana, ele e um colega mataram dois agentes carcerários em 22 de outubro de 1983 na prisão de Marion, em Illinois. A revolta pela morte dos agentes levou o governo a projetar e construir a prisão de segurança ‘supermáxima’ para abrigar os presos mais perigosos do sistema