Imagem feita pela sonda Curiosity. (Foto: Reprodução / YouTube)

 

Enquanto a sonda Opportunity segue perdida em meio à areia marciana, a Curiosity anda trazendo boas notícias para os pesquisadores de Marte. Ela fez uma imagem panorâmica de sua localização atual, chamada Vera Rubin Ridge que, além de ser incrível por si só, mostra outro feito seu, com mais relevância ciêntifica.

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Em primeiro plano está o alvo de perfuração mais recente do rover, batizado de "Stoer" em lembrança à cidade na Escócia perto de onde importantes descobertas sobre o início da vida na Terra foram feitas em sedimentos de lagoas.

A nova amostra de perfuração encantou a equipe de ciências do Curiosity, porque as duas últimas tentativas de perfuração da sonda foram frustradas por rochas inesperadamente duras (veja o vídeo aqui).


No início do ano, devido à problemas mecânicos, a sonda teve que mudar o jeito que perfura rochas. Houve a suspeita de que fora esse o motivo da falta de sucesso nas últimas tentativas, mas testes demonstraram que novo método é tão eficiente quanto o antigo, e ambas teriam falhado nas missões anteriores.

Não há como a Curiosity determinar exatamente o quanto uma rocha será dura antes de perfurá-la, logo, para essa atividade de perfuração mais recente, os cientistas buscaram o local que aparentava ser o mais macio possível.

A sonda encontrou um cume, em que provavelmente à rocha seria mais dura, já que resiste à erosão pelo vento, e foram logo abaixo onde é mais propenso de ter rochas macias e erodíveis.

A sonda nunca havia encontrado um lugar com tanta variação de cor e textura, de acordo com Ashwin Vasavada, cientista de projeto da Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia.

"O cume não é uma coisa monolítica — tem duas seções distintas, cada uma com uma variedade de cores", disse Vasavada. "Algumas cores são visíveis aos olhos, mas aparecem ainda mais quando olhamos em infravermelho, um pouco além do que nossos olhos podem ver. Alguns parecem relacionados com a dureza das rochas."

A melhor maneira de descobrir o motivo de essas rochas serem tão duras é perfurá-las e coletar o pó, que é enviado para o mini laboratório dentro da Curiosity. Analisá-los pode revelar o que está agindo como "cimento" no cume, permitindo que ele permaneça apesar da erosão eólica.

Muito provavelmente, disse Vasavada, a água subterrânea que fluiu através da cordilheira no passado antigo teve um papel em fortalecê-la, talvez atuando como encanamento para distribuir esse "cimento" à prova de vento.

Grande parte do cume contém hematita, um mineral que se forma na água. Há um sinal de hematita tão forte que chamou a atenção da NASA, mas só trouxe mais perguntas: alguma variação na hematita pode resultar em rochas mais duras? Há algo especial nas rochas vermelhas da cordilheira que as torna tão inflexíveis?

Por enquanto, Vera Rubin Ridge está guardando seus segredos para si mesma.Mais duas amostras perfuradas estão planejadas para o cume em setembro. Depois disso, Curiosity irá conduzir a sua zona final científica: áreas enriquecidas em minerais de argila e sulfato, planejada para o final de outubro.

Esperança e perseverança
Enquanto isso, um outro grupo segue na busca pela Opportunity. A boa notícia é que as nuvens de poeira do Vale da Perseverança, como foi batizado o local, estão se dissipando. "O Sol está rompendo a neblina sobre Perseverance Valley, e logo haverá luz solar suficiente para que o Opportunity possa recarregar suas baterias", disse John Callas, gerente de projetos no JPL.

“Quando o nível de tau [medida da quantidade de material particulado no céu marciano] cair abaixo de 1,5, iniciaremos um período de tentativa ativa de comunicação com a sonda”, continuou. “Se recebermos uma resposta do Opportunity, iniciaremos o processo de decodificar seu status e trazê-la de volta online.”

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