Sombrio, violento e adulto. Essas três palavras estão sendo usadas desde que a série Titãs foi anunciada para o serviço de streaming da DC. Mesmo antes de qualquer teaser ser liberado, o produtor Geoff Johns prometeu que essa seria o retorno triunfal da produtora para as séries e também o lugar onde iriam “experimentar” novas ideias. Apesar de muitos fãs não levarem a sério que uma obra sobre jovens heróis poderia ser tão dark, Titãs finalmente estreou e isso se concretizou. Na verdade, até mais do se era esperado.

O ar obscuro criado pela ótima fotografia fria e gótica, que abusa dos tons azulados e verdes, cria uma atmosfera de medo e perigo, afastando o seriado de obras mais leves e assumindo, mais do que nunca, o legado sombrio da DC Comics, que tanto tentou ser explorado nos cinemas mas que está, a cada novo filme, perdendo sua identidade e se rendendo ao popular. Esse perigo crescente é o que une os personagens no primeiro momento, com Ravena (Teagan Croft) quase que protagonizando esse primeiro episódio, enquanto descobre sobre seus poderes e parte em busca do menino que atormente seus pesadelos, o Robin.

Ainda seguindo a vibe mais realista, a mãe de Ravena acredita que a menina está possuída por demônios e a mantém cercada de crucifixos. A trama sustenta que a personagem seguirá como a mais emocional e a que menos consegue lidar com seus poderes, mantendo o elo com a escuridão, algo que funciona perfeitamente no seriado. Assim como o futuro líder da equipe, Robin (Brenton Thwaites), apresentado como um homem sério, revoltado e de poucos amigos, que salva a cidade dos bandidos, mas que reluta em viver sob a sombra do Homem-Morcego, citado rapidamente na trama.

Além de muita violência gráfica e sangue à balde, o seriado também utiliza palavrões e temas mais adultos. Até mesmo os heróis funcionam bem mais como anti-heróis, já que escolhem matar e machucar gravemente sempre que são confrontados. As cenas de luta são bem coreografadas e deixam seriados como Punho de Ferro para trás em quesito boas cenas de ação com pancadaria violenta. Outro ponto positivo fica por conta dos efeitos especiais, surpreendentes até, dá para ver que o orçamento permitiu ousar um pouco mais, melhores do que vistos nos matérias de divulgação.

Longe da busca de Ravena por Robin, outra heroína está se descobrindo, ou melhor, redescobrindo. As cenas com a Estelar (Anna Diop) são, de longe, as mais empolgantes no primeiro episódio. A personagem está fiel aos quadrinhos, sua caracterização, tanto criticada nas redes socais, funciona muito bem. Cartunesca, colorida e muito poderosa ao esbanjar girl power em ótimas cenas de ação, todas bem dirigidas e fotografadas, afinal, seu cabelo rosa choque sempre está em contraste com o ambiente escuro e sem vida que sua trama se passa.

Com os núcleos formados, o episódio avança de forma empolgante, seguindo um ritmo até mesmo apressado, comparado a outros seriados de super-heróis que enrola 8 episódios para mostrar o uniforme do dito cujo. Aqui, o universo dos personagens se estabelece rápido e sobra tempo para nos fazer mergulhar na diversão e se entusiasmar com a proposta diferenciada.

E, claro, a divertida cena envolvendo o Mutano (Ryan Potter) é o gancho perfeito para os próximos episódios, já que o personagem deve servir como alívio cômico. E também devem ser inseridos antagonistas, já que esse primeiro capítulo foca em apresentar os heróis e seus poderes, mas mostra que algo sinistro está por vir e que a união do quarteto será de grande necessidade.

No fim das contas, Titãs surpreende ao inserir violência em um contexto jovem e, com boas atuações e uma ótima construção de narrativa, chega com os dois pés na porta, mostrando que os seriados do serviço de streaming da DC estão vindo em peso para competir com as séries, um tanto que desanimadas, da Marvel/Netflix, que atualmente dominam o mercado do gênero. É definitivamente o ano dos Titãs.

Vale lembrar que Titãs estreou nos EUA e chagará ao Brasil pela Netflix, ainda sem data definida.