Para o experimento,10 peixes-bodião foram colocados em tanques individuais e com espelhos (Foto: Karelj/ Wikimedia Commons)

 

Pode parecer algo simples, mas se reconhecer no espelho não é uma atividade para qualquer um: apenas algumas espécies têm essa capacidade. Porém, segundo estudo  publicado no jornal científico Plos Biology, um pequeno peixe tropical, que vive em recifes de corais, também apresenta essa inteligência.

O “teste do espelho”, como ficou conhecido, é um tipo de experimento para averiguar se uma espécie é capaz de se olhar e reconhecer no espelho. O teste não é considerado simples e pode ser usado para medir o nível de inteligência de um animal.

Até hoje, além do ser humano, apenas o golfinho nariz-de-garrafa, baleias assassinas, pegas euro-asiáticas e um único elefante asiático passaram no teste. Agora, o peixe conhecido como Bodião-limpador (Labroides dimidiatus), também integrará o seleto grupo.

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O biólogo e pesquisador-líder do estudo Masanori Kohda explica que o teste do espelho foi primeiramente feito com a espécie de peixe ciclídeo (Cichlidae). O resultado, porém, não foi positivo. “Alguns ciclídeos sociais são tão inteligentes que discriminam membros familiares como primatas”, disse Kohda à National Geographic.

Para o experimento, Kohda conta que colocou 10 peixes-bodião em tanques individuais e com espelhos. Inicialmente, muitos deles reagiram de maneira agressiva em resposta ao reflexo no espelho. Com o tempo, no entanto, os pesquisadores entenderam que os peixes passaram a se comportar de outra maneira, com movimentos rápidos em direção ao espelho e interagindo com o reflexo projetado.
 

O bodião-limpador é uma das espécies que conseguem se reconhecer no espelho (Foto: Alex Jordan)

 

Após a fase de familiarização, os pesquisadores injetaram um tipo de gel marrom benigno na pele de oito dos peixes. Assim que os animais viram os pontos de cor, segundo o estudo, os peixes pareceram tentar raspar. Sugerindo que os peixes passaram a reconhecer no reflexo seus corpos.

A descoberta pegou os pesquisadores desprevenidos, já que mostra que o senso de autoconhecimento e autoconsciência pode ser muito mais difundido pelo reino animal do que se pensava até então.

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