PF, Receita e MPF fizeram coletiva nesta quinta

PF, Receita e MPF fizeram coletiva nesta quinta
José Lucena/Futura Press/Folhapress – 08.11.2018

Procuradores do MPF (Ministério Público Federal) afirmaram nesta quinta-feira (8) que o esquema de pagamento de propinas na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), que levou hoje à prisão de dez deputados estaduais, movimentou R$ 54,5 milhões e envolvia pagamentos mensais aos parlamentares que iam de R$ 20 mil e chegavam até R$ 900 mil. O MPF qualificou a Alerj como “verdadeira propinolândia”.

“A relação entre esses deputados foi pautada pela promiscuidade. A Alerj se transformou em uma verdadeira propinolândia”, afirmou Carlos Aguiar, procurador da República envolvido na operação Furna da Onça, realizada por MPF, Receita Federal e Polícia Federal e que cumpre hoje 19 mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e 47 mandados de busca e apreensão.

A ação é um desdobramento da operação Cadeia Velha, que prendeu há um ano o então presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Jorge Picciani, e os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do MDB.

Além dos três, que já estão presos, a PF cumpriu hoje a prisão de mais sete deputados estaduais: André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abahão (Avante) e Marcos Vinícius “Neskau” (PTB).

Também foram presos Affonso Monnerat, secretário de Governo, Leonardo Silva Jacob, presidente do Detran/RJ, e Vinícius Farah, ex-presidente do Detran/RJ e deputado federal eleito pelo MDB. O R7 está buscando o contato com a defesa de todos eles.

O esquema

De acordo com a PF e o MPF, informações obtidas com o doleiro e delator Carlos Miranda, considerado braço direito do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), levou à descoberta de um esquema de corrupção e desvio de verbas públicas dentro do Detran-RJ (Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro).

Segundo a delegada Xênia Soares, da Polícia Federal, o esquema durou entre 2011 e 2014, durante o segundo governo de Cabral.

“A corrupção pequena — cobranças por serviços ilícitos, como aprovações de veículos irregulares em vistorias e aprovações de pessoas na prova para a CNH — dentro de Detran-RJ também favorecia esses parlamentares, com cobranças de taxas nos postos sob seu domínio. Os deputados tinham um alcance político, eleitoral, que se revertia em dinheiro”, disse a delegada.