ONU exige mudanças radicais para igualdade de gênero

ONU exige mudanças radicais para igualdade de gênero
REUTERS/Yves Herman 08.03.2019

A ONU exigiu nesta sexta-feira (08) mudanças rápidas e radicais para promover a igualdade de gênero e responder os movimentos que tentam conter os avanços nos direitos das mulheres.

“Nossa cultura dominada pelos homens ignorou, silenciou e oprimiu as mulheres por séculos”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em discurso realizado em uma cerimônia realizada pela organização para celebrar o Dia Internacional da Mulher.

Guterres afirmou que o mundo não pode mais esperar para atingir a igualdade de gênero e exigiu avanços imediatos em várias áreas, como ampliação da representação feminina na política e a redução nas diferenças salariais. Segundo ele, no ritmo atual, o mundo levará dois séculos para resolver esse problema.

“Não aceitou um mundo que diga as minhas netas que a igualdade econômica pode esperar a vez das netas delas. O mundo não pode esperar”, afirmou o ex-primeiro-ministro de Portugal.

O secretário-geral da ONU também fez um alerta sobre os movimentos que tentam reverter os avanços conseguidos pelas mulheres nas últimas décadas. Segundo ele, esse movimento se materializa de múltiplas formas, como no aumento da violência contra ativistas e líderes políticas, o assédio na internet, os feminicídios e os retrocessos legislativos na área da violência doméstica.

“As agendas nacionalistas, populistas e de austeridade aumentam a desigualdade com políticas que limitam os direitos das mulheres e reduzem serviços sociais. Não podemos ceder em um terreno no qual se avançou durante décadas”, defendeu Guterres.

A ONU celebra o Dia Internacional da Mulher com um grande ato na sede da organização em Nova York, focada na inovação para promover as mudanças necessárias para avançar na igualdade de gênero.

Participaram da cerimônia as principais dirigentes da ONU, incluídas a vice-secretária-geral da organização, Amina Mohammed, e a presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa.

O secretário-geral estabeleceu a igualdade como uma das prioridades do programa que quer implementar na organização e, pela primeira vez, a ONU tem um número paritário de homens e mulheres em seus cargos de direção.