Nesta quinta-feira (10) finalmente chega aos cinemas brasileiros o filme animado Homem-Aranha no Aranhaverso, que não apenas vem sendo aclamado por público e crítica, como também venceu o Globo de Ouro como melhor animação.

Mas afinal, o que é exatamente o “Aranhaverso“, e como ele surgiu? Bem, não é segredo para ninguém que o Homem-Aranha, assim como diversos outros heróis populares, possui dezenas de versões que foram se acumulando ao longo dos anos, não apenas nos quadrinhos, mas nas mais diversas mídias.

Foi então que, em 2015, o roteirista Dan Slott, que na época era o responsável pela revista principal do herói aracnídeo (onde ficou por longos 10 anos) decidiu que seria uma boa ideia usar todo o seu amplo conhecimento da mitologia do Homem-Aranha para simplesmente reunir TODAS as versões existentes do herói, em uma trama multiversal.

Uma ideia ousada? Sem sombra de dúvidas. Mas não para o cara que já tinha dado poderes de aranha para toda Nova York em “Ilha das Aranhas” e que tinha feito o Doutor Octopus trocar de corpo com Peter Parker na super criativa fase “Homem-Aranha Superior“. Ambas ideias aparentemente bizarras, mas que tiverem uma ótima execução. Então fica bem claro porque a Marvel aprovou sem pestanejar a ideia do Aranhaverso.

Antes de qualquer coisa, vamos deixar algo claro: Dan Sott é um grande fã do Homem-Aranha e, sinceramente, duvido que exista hoje alguém na indústria que conheça com tanta profundidade o universo aracnídeo. E isso foi algo crucial para que Aranhaverso funcionasse, com cada versão do Homem-Aranha tendo sua própria voz e background.

E estamos falando aqui de MUITOS Homens-Aranha, o que engloba até mesmo o Aranha japonês da série da década de 70 e o antropomórfico Porco-Aranha, além é claro de alguns originais como o Homem-Aranha Punk e a Spider-Gwen, que foi extremamente bem recebida e, não à toa, recebe papel de destaque na animação Homem-Aranha no Aranhaverso.

Como base para sua história, Slott usa um conceito inserido por J. Michael Strackynzki quando o escritor escreveu as histórias do Homem-Aranha mais de 15 anos atrás: a ideia de que os dons de heróis (e vilões) que usam animais como representação de seus poderes advém de um “totem” relacionado àquele animal. No caso de Peter Parker, obviamente, a aranha. Foi durante essa fase que tivemos a chegada do vilão Morlun, uma espécie de vampiro cósmico que se alimenta da “energia totêmica” dos seres com poderes aracnídeos.

Slott resgata Morlun para sua história, mas agora com uma família inteira de vampiros, e viajando por dimensões para drenar a vida do máximo possível de Homens-Aranha. Até que os heróis dessas dimensões decidem se unir para enfrentar a ameaça de uma vez por todas.

Infelizmente, e curiosamente, o maior trunfo de Aranhaverso é também o seu maior problema. A saga é muito satisfatória em trabalhar  cada um dos Homens-Aranha, e é muito divertido ver  como se relacionam – um verdadeiro presente para um fã do personagem. No entanto, o excesso de fanservice e demonstração de conhecimento de Slott da mitologia é, dessa vez, talvez o único ponto a se destacar. A história é divertida e tem bons momentos, mas parece que não houve muita dedicação na trama.

Felizmente, a animação Homem-Aranha no Aranhaverso parece ter arranjado um jeito um pouco mais criativo e com mais coração para usar esse tema, reduzindo o número de Homens-Aranha e dando destaque principalmente à relação de dois deles: Peter Parker e Miles Morales.

Isso, aliás, vem de um outro excelente quadrinho que, assim como Aranhaverso, foi usado como base para o filme animado: Homens-Aranha, de Brian Michael Bendis e Sara Pichelli. Mas falo sobre isso mais tarde.

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