Ex-presidente tinha pedido para julgamento ser adiado

Ex-presidente tinha pedido para julgamento ser adiado
Martin Acosta/ Reuters 19.11.2018

Um tribunal argentino rejeitou nesta segunda-feira (11) o adiamento do início do primeiro julgamento por corrupção contra a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), que começará no próximo dia 26 de fevereiro e que a atual senadora pediu para ser atrasado alegando que uma instrução suplementar não foi finalizada.

Segundo confirmaram à Agência Efe fontes da defesa da viúva do também ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), o Tribunal Oral Federal 2 rejeitou o pedido por considerar que as perícias que ainda não foram feitas não são indispensáveis para o início do julgamento, já que poderão ser incluídas posteriormente.

A causa, a primeira envolvendo Cristina que chega a julgamento, averigua supostas irregularidades na adjudicação, durante seu mandato presidencial, de obras públicas viárias ao Grupo Austral, propriedade do empresário Lázaro Báez, na província de Santa Cruz, terra natal dos Kirchner.

Além da ex-governante – que por ser senadora tem privilégios que impedem sua eventual detenção -, deverão sentar-se no banco dos réus os já detidos Báez, o ex-ministro de Planejamento, Julio de Vido, o ex-secretário de Obras Públicas, José López, e o ex-subsecretário de Coordenação de Obra Pública Federal, Carlos Santiago Kirchner, primo de Néstor Kirchner.

Ao levar o caso a julgamento, o juiz Julián Ercolini indicou que Cristina, na sua condição de presidente, “teria prejudicado os interesses confiantes ao violar seu dever de administrar e cuidar fielmente dos bens do Estado nacional que estavam sob a órbita da sua responsabilidade”.

O juiz acredita que as manobras investigadas teriam tido o “objetivo de proporcionar ao empresário Lázaro Antonio Báez um lucro indevido, em prejuízo dos cofres do Estado nacional”.

Além disso, a ex-presidente está indiciada em outras causas nas quais é acusada de alugar a empresários algumas das suas propriedades imobiliárias a altos preços para supostamente receber retornos de dinheiro público.