‘Independente’ no segundo turno, Meirelles criará canal digital

Emedebista diz que saiu da eleição com uma ‘boa imagem’ e que usará a internet para apresentar propostas para o País.

Ex-ministro Henrique Meirelles gastou cerca de R$ 53,2 milhões na campanha à Presidência, mas disse que não se arrepende.

SELO-ELEIÇÕES-2018-100Henrique Meirelles (MDB) disse que ficará “independente” no 2º turno da
campanha entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Candidato
derrotado à Presidência, ele abriu um sorriso, no entanto, quando soube
que seu slogan “Chama o Meirelles” já foi transformado em “Chama o
Bolsonaro”.

“Podem me imitar à vontade”, afirmou o ex-ministro da Fazenda. Apesar de
ter obtido apenas 1,2% dos votos, Meirelles disse que não se arrepende
de nada. Seu plano, agora, é montar um canal digital para divulgar
propostas para o País. Ele será uma espécie de “youtuber”.

Quem o sr. vai apoiar no segundo turno da eleição presidencial?

A minha posição é de independência e de avaliação sobre o que os candidatos, de fato, pretendem fazer.

Com qual programa econômico o sr. se identifica mais?

Depende de saber qual é. O programa do Haddad é o que está no plano de
governo do PT ou o que foi o Lula no primeiro mandato? Se for o Lula 1,
foi um bom governo do ponto de vista econômico. Se for o que foi a
Dilma, é péssimo, um desastre. Do lado do Bolsonaro, se for o que está
dito pelos economistas liberais, é um bom plano. Agora, se for produto
mais direto do que o candidato tem dito, algumas vezes com conteúdo
estatizante, aí é mais questionável.

Isso quer dizer que, dependendo do programa, o sr. pode ir para um lado ou outro?

Como estamos em pleno curso da campanha do segundo turno, considero mais provável que isso só fique claro depois das eleições.

O publicitário Elsinho Mouco, que colaborou com sua campanha, lançou o slogan “Chama o Bolsonaro”. Como o sr. viu isso?

Ótimo. Podem me imitar à vontade. Fico honrado.

Seria ministro novamente?

Decisão não é como peru que morre na véspera. Dependendo de quem for
eleito, se esse alguém me convidar para alguma coisa, vou analisar qual é
o programa e a proposta.

Haddad disse que, se eleito, não terá um banqueiro no governo

É o embate político dele com Bolsonaro, por causa do Paulo Guedes (guru econômico do candidato do PSL).

O sr. parece ter gostado da política. Disputaria outra eleição?

No momento, não tenho esses planos. A minha primeira medida concreta
será a criação de um canal digital no qual vamos veicular conteúdos, com
uma série de especialistas de diversas áreas para falar com todo esse
público. Nas pesquisas que fiz, saí com boa imagem da eleição. Isso, de
fato, me dá uma possibilidade muito grande de influenciar o debate.

E o que faltou para o voto?

Vivemos um momento muito peculiar em que houve uma polarização muito
grande. Houve um movimento de grande preocupação com segurança e aumento
do sentimento de indignação. Houve um tsunami em direção aos extremos.
Na minha campanha, eu disse com clareza: “Posso perder o seu voto, mas
espero ganhar o seu respeito”. Isso eu consegui. Agora, talvez a verdade
não tenha ganho voto.

Foi a Operação Lava Jato que influenciou esse quadro?

Várias coisas influenciaram. Em primeiro lugar, a renda per capita,
durante essa crise, caiu 9%. É brutal isso. Ao mesmo tempo, tivemos
inflação alta, o que gerou um sentimento de revolta. Depois, tivemos
todos esses episódios de denúncias. A eleição foi muito impulsionada
pela indignação. Eu fiz até uma peça de propaganda, mostrando um
motorista de ônibus dirigindo com venda nos olhos. Dizia o seguinte:
“Não vote cego pela indignação, use a indignação para votar certo”.

Mas por que o sr. foi abandonado pelo MDB na campanha?

Não me senti abandonado. Tive apoio muito grande das principais lideranças regionais.

Os candidatos têm como cumprir o que estão prometendo, como a
capitalização da Previdência e o aumento da faixa de isenção do Imposto
de Renda?

Não há dúvida de que o regime de capitalização cria um problema. O maior
problema de fazer isso é o grande déficit dos já aposentados. Se todos
os que vão contribuir para o futuro deixam de pagar o custo dos
aposentados que não têm a capitalização, esse recurso vai sair de onde? A
Lei da Responsabilidade Fiscal obriga a definir fonte de recursos.

Qual a primeira medida que o futuro presidente deve tomar na área econômica?

Promover o equilíbrio fiscal. É insustentável a presente situação.
Precisamos ter um programa de eliminação do déficit primário num espaço
de tempo realista, de três anos. E o equilíbrio fiscal passa pela
reforma da Previdência. Não adianta tentar fazer mágica. São duas
reformas fundamentais, a da Previdência e a tributária. Depois, há toda
aquela série de medidas para aumentar a produtividade da economia.
Segurança, educação e saúde vêm como consequência.

O sr. se arrepende de ter gasto tanto dinheiro (R$ 53,2 milhões) na campanha?

Não me arrependo de nada.