A Batalha de Verdun, travada entre as tropas francesas e alemãs, entre 21 de fevereiro e 18 de dezembro de 1916, foi a mais longa e a segunda mais mortífera da Primeira Guerra Mundial: 700 mil mortos em combate

Em muitos casos, o horror da matança se mistura ao mistério. Pelo menos 80 mil soldados mortos franceses na Primeira Guerra nunca foram identificados. Muitos deles estão enterrados em uma área conhecida como “zona vermelha”, em Verdun, onde descansam em eterno anonimato

O médico forense Bruno Fremont foi encarregado pelo promotor local de averiguar se os ossos são humanos e se as mortes ocorreram na guerra
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Isto porque, na mesma região, um serial killer, o ‘Ogro das Ardenas’, cometeu uma série de crimes que podem confundir suas vítimas com as da grande guerra. Fremont, no entanto, tem conseguido decifrar o tipo de morte. Só não tem como saber quem foi a vítima

Exemplo disso foi a descoberta de um corpo, encontrado em março último por operários que abriam uma estrada na região. Em um necrotério hospitalar no leste da França, Fremont examina um buraco no crânio de um soldado morto por estilhaços, na Batalha de Verdun

Junto com o corpo, foram encontradas as botas de couro, que estavam amarradas com firmeza. Mas como não havia nenhuma etiqueta de identificação, o médico não tem como saber quem era o soldado. Só poderia descobrir por meio de teste de DNA se tivesse como comparar com o de algum parente dele, o que não é o caso

Quando criança, Fremont andava pela floresta da região, à procura de balas e objetos da batalha, que chegou a ferir seu avô. Hoje, o ímpeto infantil se transformou em vocação profissional. Uma tentativa de recuperar peças, como se buscasse, por meio disso, dar um pouco de luz à insanidade humana

Há no local um memorial contendo os restos de soldados que morreram em Verdun, chamado Ossuário de Douaumont, onde o esqueleto pesquisado por Fremont será enterrado se não puder ser identificado

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O presidente francês Emmanuel Macron visitou o memorial na última terça-feira (6). Foi uma maneira de homenagear também os anônimos e suas famílias, que tiveram de conviver com a incerteza sobre a identidade de muitas vítimas dos campos de batalha

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