Filho de ditador da Guiné Equatorial é alvo da PF e da Receita Federal

Fiscais apreenderam cerca de US$ 1,5 milhão em espécie e joias, no aeroporto de Viracopos.

Conhecido no Brasil por promover festas extravagantes e até por patrocinar uma escola de samba no carnaval carioca e um bloco de Salvador, o vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mangue, o Teodorín, caiu nas garras da Receita e da Polícia Federal, segundo fontes envolvidas no caso.

Na sexta-feira (14), os fiscais apreenderam em seu avião particular, no aeroporto de Viracopos (SP), cerca de US$ 1,5 milhão em espécie e uma grande quantidade de relógios de luxo cravejados de pedras, entre eles um modelo avaliado em US$ 3,5 mil. E interrogaram membros da comitiva inclusive quanto à possível presença de drogas na aeronave. Teodorín é filho de Teodoro Obiang Nguema, ditador da Guiné Equatorial, no poder há 39 anos.

Segundo relato do governo brasileiro, o avião de Teodorín aterrissou em Campinas por volta de 9h45. Por causa das prerrogativas do cargo, o vice-presidente não foi submetido a vistoria. No entanto, sua equipe foi fiscalizada, o que levou à apreensão dos bens.

Pelas normas da Receita, só é permitido entrar com até R$ 10 mil em espécie no País. E, ainda assim, se a origem do dinheiro não for justificada, ele pode ser apreendido. No caso dos relógios e joias, a quantidade levantou suspeitas de que pudessem ser destinados à comercialização. Nesse caso, não poderiam ingressar como bagagem.

A apreensão foi confirmada pelo primeiro-secretário da Embaixada da Guiné Equatorial no Brasil, Lemenio Akuben. Ele estava com Teodorín no momento da apreensão. Segundo relatou, o vice-presidente foi recepcionado normalmente mas, em um momento posterior, a delegação foi “praticamente agredida”, com ordem para retornar com as malas para que elas fossem inspecionadas.

Teodorín foi liberado e ficou aguardando no carro, do lado de fora do aeroporto. Enquanto isso, a delegação tentou argumentar que, com base na Convenção de Viena, bagagens pessoais de dignitários estrangeiros não devem passar por vistoria. Segundo Akuben, o Itamaraty foi acionado e enviou uma mensagem ao aeroporto alertando para isso. Fontes diplomáticas desmentem essa versão.

Só no final da tarde, os fiscais liberaram R$ 10 mil. E forneceram recibos das joias e relógios  apreendidos. O vice-presidente seguiu de helicóptero até a capital paulista. No entanto, Akuben e mais um integrante da delegação foram retidos no aeroporto e interrogados pela Polícia Federal até a madrugada.