Jonatan Diniz promovia obras de caridade na Venezuela
Jonatan Diniz promovia obras de caridade na Venezuela Reprodução/Facebook

A família do brasileiro Jonatan Moisés Diniz, de 31 anos, sofre sem notícias do jovem preso na Venezuela na última semana sob a acusação de promover atividades contra o governo de Nicolás Maduro. Em entrevista exclusiva ao R7, o irmão de Jonatan, Juliano Diniz, afirma que os parentes não sabem o local da prisão ou as circunstâncias em que o brasileiro se encontra neste momento. Os parentes moram na região de Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

— Soubemos que ele foi preso anteontem (quinta-feira, 28), por uma amiga dele que está na Venezuela. Ela conseguiu o contato da nossa família pela internet e ligou para avisar. Até agora, não conhecemos o paradeiro, a situação dele, nada. Ele ia passar o Natal no país para promover uma obra de caridade, mas o detiveram e afirmaram que ele era um infiltrado da CIA (serviço de inteligência norte-americano). Meu irmão nunca trabalhou para nenhum órgão público e nem para a polícia.

De acordo com Juliano, Jonatan mora fora do Brasil há dois anos. Ele vivia em Los Angeles, nos Estados Unidos, e trabalhava como prestador de serviços. Neste período, o brasileiro já visitara o país governado por Maduro algumas vezes e levantava fundos para ajudar crianças venezuelanas em situação de pobreza. “Desta vez, ele estava na Venezuela há cerca de uma semana para participar de uma ação de Natal que levaria comida e brinquedos para a algumas famílias. A amiga que ligou apra nos avisar sobre a prisão disse que ele vinha sendo muito visado pelas doações que fazia, já que o país vive uma situação de pobreza extrema”, explica.

Nas redes sociais de Jonatan, é possível ver imagens do brasileiro distribuindo roupas e alimentos na Venezuela, além de alguns posts contra o governo de Nicolás Maduro. Ao R7, o irmão do jovem endossa que a família já está em contato com o Itamaraty e que a recomendação das autoridades brasileiras é para que os parentes não viajem até a Venezuela.

— Nós até tínhamos juntado dinheiro para as passagens, mas nos disseram para não ir até lá, porque seria muito perigoso. Estamos em contato com Itamaraty o tempo todo, e o que eles dizem é que esperam uma confirmação oficial do governo da Venezuela de que Jonatan está realmente preso para que possam tomar as medidas necessárias.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirma que o Consulado do Brasil em Caracas acompanha o caso e está em contato com autoridades locais e com a família do nacional para prestar a assistência consular cabível.

A mãe de Jonatan, Renata Diniz, reforça que aguarda providências do governo: "Não temos muito a declarar. Só queria que as autoridades brasileiras ajudassem para tirá-lo o mais rápido possível da prisão. É o nosso apelo", afirma.

Tensão entre países

Segundo o jornal venezuelano El Nacional, a prisão de Jonatan Diniz foi divulgada em rede nacional de televisão pelo dirigente chavista Diosdado Cabello. Cabello teria dito que o brasileiro faz parte de uma organização criminal e que, junto com ele, foram presos outros três indivíduos: "Quatro pessoas foram detidas no estado de Vargas pelas forças de segurança, eram membros de uma organização criminosa com tentáculos internacionais". Em seu pronunciamento, o líder ainda abordou a ligação de Jonatan com organizações filantrópicas.

— Já conhecemos esse tipo de ação da CIA, feito em outras ocasiões e em outros países. Usam ONGs como fachada para atravessar o país, identificar objetivos estratégicos e financiar terroristas.

Brasil e Venezuela vivem uma crise diplomática que se agravou desde o último dia 23, quando a expulsão do embaixador brasileiro em Caracas, Ruy Pereira, foi anunciada pela Assembleia Constituinte venezuelana. Na terça-feira (26), o Itamaraty aplicou o princípio da reciprocidade presente nas relações internacionais e declarou persona non grata o encarregado de negócios venezuelano em Brasília, Gerardo Antonio Delgado Maldonado.