Cyntoia, em fotos tiradas na prisão em 2006 e 2013, será libertada em agosto

Cyntoia, em fotos tiradas na prisão em 2006 e 2013, será libertada em agosto
Tennessee Department of Corrections/Handout via Reuters / 7.1.2019

Cyntoia Brown tinha 16 anos em 2004, quando matou um homem de 43. Condenada à prisão perpétua, ela teria de cumprir pena pelo menos até os 67 para poder apelar da sentença. Nesta segunda (7), o governador do Tennessee, Bill Haslam, considerou que ela foi vítima de tráfico humano e concedeu perdão.

Com isso, Cyntoia deixará a penitenciária de segurança máxima onde está detida no próximo dia 7 de agosto e ficará em liberdade condicional até 2029, quando a sendença deixará de existir.

Haslam, que deixa o cargo no dia 19 deste mês, afirmou que obrigá-la a cumprir uma sentença dada quando ela ainda era adolescente, seria “duro demais” e, por isso, decidiu dar o perdão.

A história de Cyntoia

Filha de uma viciada em crack e de um pai desconhecido, Cyntoia Brown teve uma vida repleta de dificuldades. Ainda criança, foi entregue a uma família adotiva. Aos 16, ela fugiu de casa e foi morar com um namorado de 24.

Garion McGlothen Jarvis, que nas ruas tinha o apelido de “Corta-Garganta”, era um conhecido cafetão em Nashville, no Tennessee, e passou a estuprar Cyntoia seguidamente, além de obrigá-la a se prostituir.

Por ordem de Jarvis, ela se encontrou em 6 de agosto com Johnny Mitchell Allen, de 43 anos, que a levou para sua casa. No julgamento, ela contou Allen mostrou que tinha várias armas e que resistiu a tentativas dele para manter relações sexuais.

Quando ele foi pegar algo que estava debaixo da cama, ela achou que iria pegar uma arma. Cyntoia então pegou uma pistola que estava em sua bolsa e atirou, matando Allen. Ela fugiu da casa, levando US$ 172 (cerca de R$ 644), armas e a picape dele.

Presa em seguida, ela foi considerada culpada por homicídio e roubo premeditados e foi condenada à prisão perpétua.

O caso voltou à tona recentemente em redes sociais e na mídia norte-americana, depois que celebridades com a cantora Rihanna, a socialite Kim Kardashian e a atriz Ashley Judd pediram liberdade para Cintoya.

Decisão do governador

Em sua decisão, Haslam ponderou que, se o julgamento seguisse as leis atuais do Tennessee, Cyntoia seria considerada uma vítima de tráfico de pessoas e responderia como menor de idade, o que levaria a uma sentença bem diferente.

“Cyntoia Brown cometeu, segundo ela mesma, um crime horrível aos 16 anos. Ainda assim, impôr prisão perpétua a uma adolescente, que teria de cumprir 51 anos antes de mesmo de pedir a liberdade condicional, é duro demais, especialmente levando em conta tudo o que ela fez para reconstruir sua vida. A transformação deveria vir acompanhada de esperança”, escreveu o governador.