Dólar tem quarta alta consecutiva com exterior negativo e vai a R$ 3,7649

Foi a terceira maior valorização entre os principais emergentes, considerando uma cesta de 24 moedas.

Dólar subiu pelo quarto pregão seguido e fechou em alta nesta segunda-feira, cotado a R$ 3,7649.

O dólar teve nesta segunda-feira (11) o quarto dia consecutivo de alta e
terminou em R$ 3,7649 (+0,99%). Foi a terceira maior valorização entre
os principais emergentes, considerando uma cesta de 24 moedas. Com a
agenda doméstica esvaziada, o câmbio acabou sendo influenciado pelo
noticiário externo.

A segunda-feira foi marcada por aumento da aversão
ao risco dos investidores internacionais, por conta de dúvidas sobre os
rumos das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China, e
temor de piora da economia europeia, após dados fracos de crescimento do
Reino Unido, o que fortaleceu o dólar, tanto ante divisas de emergentes
como países desenvolvidos.

No mercado doméstico, as mesas de câmbio seguiram em busca de novidades
sobre a reforma da Previdência para montar as apostas. Mas os avanços só
devem ocorrer após o presidente Jair Bolsonaro sair do hospital, onde
está internado desde 28 de janeiro.

Nesta segunda, de acordo com o
boletim médico, o presidente teve melhora clínica e recebeu alta do
tratamento semi-intensivo. O porta-voz do Planalto disse que a proposta
da reforma da Previdência será apresentada “assim que o presidente puder
avaliar”. Em entrevista na TV, Bolsonaro disse que espera ter alta esta
semana.

Sem novidades locais, o real acompanhou o movimento das demais moedas,
que se enfraqueceram ante o dólar, ressalta um gestor carioca. Na máxima
do dia, o dólar chegou a bater em R$ 3,77. Uma das preocupações dos
investidores, observa este executivo, é que o diferencial de crescimento
entre os EUA e outras economias, sobretudo as europeias, se amplie.

Nesta segunda foi divulgado o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido
e os dados decepcionaram, com o bloco de países registrando o pior
avanço em 2018 desde 2012, o que realimentou temores de que outros
países da Europa e da economia mundial possam apresentar piora da
atividade. O reflexo imediato foi que a libra e o euro caíram ante o
dólar. Em Washington, há ainda preocupações com uma nova paralisação do
governo.

Entre os emergentes, uma das mostras da fraqueza destas moedas foi o
desempenho do fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) WisdomTree
Emerging Currency Strategy Fund, que replica estas divisas, e tinha
queda de 0,57% à tarde. O dólar subiu forte também perante divisas pares
do real no mercado internacional de moedas, como o peso mexicano
(+1,28%) e o rand da África do Sul (+1,54%).