Atos teriam ocorrido quando Temer ainda era vice

Atos teriam ocorrido quando Temer ainda era vice
Beto Barata/PR

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apresentou nesta segunda-feira (3) um recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal) no qual afirma que o presidente Michel Temer e os ministros da Moreira Franco (Minas e Energia) e Eliseu Padilha (Casa Civil) “tinham plena ciência do esquema criminoso e da origem das quantias ilícitas” citadas pelas delações da Odebrecht.

Segundo os depoimentos de delatores, a construtora pagou R$ 14 milhões em vantagens indevidas a líderes do MDB com destaque para os três emedebistas na época em que Temer ainda ocupava a vice-presidência da República.

No parecer, Dodge pede que o ministro responsável pela Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, reconsidere a decisão de enviar à Justiça Eleitoral as investigações contra os ministros.

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O documento da procuradora ainda cita que as delações evidenciam que os diretores da Odebrecht negociaram com Moreira Franco a manutenção de duas cláusulas que beneficiaram a empresa na segunda rodada de concessões aeroportuárias do Brasil.

“Moreira Franco recebia os representantes da empresa em seu gabinete, demonstrando todo o seu poderio em beneficiá-la em razão do cargo que ocupava (ato de ofício em potencial) e, de outro vértice, solicitava vantagem indevida”, avalia Dodge.

Com a manutenção das cláusulas, a denúncia aponta que a construtora venceu a disputa para explorar o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro e pagou R$ 4 milhões aos envolvidos.

Fachin inclui Temer em investigação de repasses da Odebrecht

A outra investigação em andamento observa se os elementos de um jantar entre os políticos e a Odebrecht no palácio do Jaburu, onde os emedebistas teriam solicitado uma ajuda financeira de R$ 10 milhões em troca de apoio às demandas da empresa.

Na avaliação de Dodge, os pedidos de recursos revelam “esquema de corrupção que se prolongava no tempo e funcionava como modo de perpetuação do poder econômico para a Odebrecht e político, para Eliseu Padilha e Michel Temer”.