Lewis Hamilton hoje exibe anéis, cordões, piercing e brincos pra lá de brilhantes

Lewis Hamilton hoje exibe anéis, cordões, piercing e brincos pra lá de brilhantes
Paulo Lopes/Estadão Conteúdo – 7.11.2018

Lewis Hamilton destoa dos demais pilotos de Fórmula 1. Não apenas pelo talento que permitiu desembarcar na última quarta-feira (7), em São Paulo, para o GP do Brasil, com o pentacampeonato assegurado. Diferentemente de bem nascidos do esporte a motor, o inglês venceu a pobreza antes de triunfar na carreira.

Classificação da Fórmula 1

Quem vê hoje o menino da modesta Stevenage com anéis, cordões, piercing e brincos pra lá de brilhantes, pode não acreditar que ele teve dificuldades na infância. Os óculos da moda escondem um homem que quer aproveitar ao máximo o estilo estrela de rock, sem perder o foco na pista.

Nem sempre foi assim. Assim que desceu do carro para comemorar o título que o igualou ao argentino Juan Manuel Fangio, Hamilton lembrou das necessidades de quando criança. Em 1995, o pai Anthony bateu a porta do pai do também piloto Jenson Button, John, e pediu ajuda para conseguir motores novos para o kart do filho.

Hamilton quase teve de parar

Hamilton quase teve de parar
Divulgação/Site Oficial

Era isso ou o futuro do piloto de 71 vitórias, 132 pódios e 227 largadas na F-1, estaria ameaçado. A família já havia se desfeito de bens materiais para insistir com a carreira do filho de resultados relevantes desde as categorias de base do automobilismo. Tanto que a McLaren decidiu apadrinha-lo em um programa de desenvolvimento e assim baratear os custos para a família.

“A Fórmula 1 é um esporte caro e tem sido assim desde muito tempo. A tecnologia com as quais trabalhamos não são baratas, mas o que é louco para mim e foi muito caro para a minha família era ‘e se não der certo?’. Isso me preocupa”, admitiu Hamilton, no auge da sua maturidade, aos 33 anos.

“Quando venci meu primeiro campeonato no kart foi contra famílias bem abastadas. Do outro lado, era o meu pai e eu. Não tínhamos um time envolvido. Como isso pode ser mais acessível para demais famílias?”, questionou-se o piloto da Mercedes.

Fã de Senna

Ainda hoje, Hamilton conserva verdadeira idolatria por Ayrton Senna. O tricampeão, que morreu quando o jovem piloto tinha 9 anos, foi a inspiração para os primeiros anos de carreira e não conviver com ele ainda é frustrante para o inglês. Por isso, descontado qualquer possível ação comercial, Hamilton adora o Brasil.

Mas justamente pelo aporte financeiro que o esporte exige, o piloto teme que o país perca espaço no automobilismo. A prova em Interlagos, por exemplo, não contará com um único brasileiro no grid de largada pela primeira vez em 46 anos.

Lewis Hamilton conquistou quinto título mundial no último GP do México

Lewis Hamilton conquistou quinto título mundial no último GP do México
Henry RomeroReuters – 28.10.2018

“Para uma criança que saiu do meio do nada na Inglaterra e conseguir fazer o que o Senna fez, é impensável”, disse o piloto.

“Sei que muitas crianças aqui no Brasil tentaram seguir os passos do Senna, mas não conseguiram porque não tiveram incentivo financeiro ou apoio de alguém”, concluiu.

O GP do Brasil de F-1, a 20ª das 21 etapas do calendário, acontece neste domingo, no autódromo de Interlagos. A última etapa será em Abu Dhabi, em 25 deste mês, no circuito de Yas Marina. 

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