Fome é ameaça real para as crianças no Iêmen

Fome é ameaça real para as crianças no Iêmen
Naif Rahma/Reuters/21-11-18

As negociações de paz para a Guerra do Iêmen, que estão sendo realizadas em Rimbo, na Suécia, com supervisão da ONU (Organização das Nações Unidas), já contam com alguns avanços rumo à principal meta dos negociadores no momento: impedir urgentemente que a crise humanitária no país se alastre.

O enviado especial da entidade, o britânico Martin Griffiths, fez elogios ao governo sueco por sediar o encontro, inédito até agora. O Kuwait também foi elogiado por receber a delegação dos houthis.

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Segundo a ONU, o Iêmen passa atualmente pela maior catástrofe humanitária do mundo. E, justamente por isso, a solução imediata desta crise é o primeiro objetivo das negociações.

Há meses, por exemplo, um conflito armado ameaça atingir o porto de Hudayah, no Mar Vermelho, no qual milhares de civis estão cercados. A região é dominada pelos houthis. Griffiths, pelo twitter, reconheceu nesta sexta-feira (7) que a situação exige soluções rápidas.

“As consultas na Suécia são uma retomada do processo político, para terminar com urgência o conflito no Iêmen.”

Alguns pontos também foram comemorados pelos negociadores que, no entanto, evitam a euforia.

Um deles foi o acordo para uma troca de prisioneiros, definido na última quinta-feira (6). A quantidade de prisioneiros não foi revelada.

Também foi elogiada a atitude dos rebeldes houthis, que permitiram aterrissagem de uma aeronave da ONU em Sanaa, para o resgate de 50 iemenitas gravemente feridos após um bombardeio. Eles foram encaminhados para Omã.

Compromisso de todos

O enviado da ONU, que assumiu o cargo em fevereiro último, ressaltou que a oportunidade deve ser aproveitada, com um acordo em que todas as partes sejam reconhecidas.

“Os iemenitas buscam um progresso genuíno a ser alcançado na Suécia. Isso requer compromisso político de todos no Iêmen.”

A situação no país é mesmo de emergência. A ONU informou que, no Iêmen, pelo menos 22 milhões (em uma população de 28,2 milhões de pessoas) dependem de ajuda humanitária ou proteção.

E o número de crianças que sofrem com a insegurança alimentar e risco de fome chega a 11 milhões, com pelo menos 85 mil tendo possivelmente morrido por causa da falta de alimentos.

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