Cientistas encontram rastro de "mini-luas" orbitando outras luas (Foto: Flickr / Brian Altmeyer)

 

Todo mundo sabe que muitos planetas são orbitados por uma ou mais luas. Mas os astrônomos Juna Kollmeier, da Instituição Carnegie de Washington, nos EUA, e Sean Raymond, da Universidade de Bordeaux, na França, descobriram que esses corpos celestes de gelo e rocha podem também serem circundados por objetos menores, como “luazinhas”.

Em uma análise publicada no banco de dados arXiv, Kollmeier e Raymond calcularam as condições de planetas conhecidos como "Cachinhos Dourados" (não tão frios e nem tão quentes). Eles permitiriam que sua lua fosse orbitada por outra menor sem que ela fosse jogada para fora de curso ou cortada em pedaços pela atração gravitacional (também conhecida como força das marés).

Depois de algumas suposições envolvendo a densidade das luas e de suas seguidoras pequeninas tendo por base o que sabemos sobre o sistema solar, os autores concluíram que as grandes luas (que possuem um raio igual ou maior a 1.000 km) podem acomodar corpos celestes menores (de 10 km ou mais de raio) por longas durações.

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“O fluxo de energia das marés desestabiliza as órbitas de sub-luas em torno de luas que são pequenas ou muito próximas do seu planeta hospedeiro – esse é o caso da maioria das luas do Sistema Solar”, dizem os especialistas. Eles também completam afirmando que muitas luas já conhecidas são também capazes de hospedarem esses pequenos corpos, como as que circundam Saturno (Titan e Iapetus), a lua de Júpiter (Callisto) e a própria lua da Terra.

Os cientistas ainda acrescentam que a recente exolua desoberta (que tem o tamanho similar à Netuno) orbitando o exoplaneta Kepler-1625b (um gigante gasoso com até 12 vezes o tamanho da Terra, orbitando uma estrela parecida com o Sol localizada a cerca de 8.000 anos-luz de distância de nós) também pode hospedar uma sub-lua.

Os pesquisadores, por fim, acreditam que a possibilidade da luazinha ter se formado já no ambiente planeta-lua com as configurações orbitais corretas é bem baixa. Para eles, algo teria “chutado” o corpo em uma velocidade correta e ele acabou entrando na órbita de uma lua maior, não de um planeta. De qualquer forma, Raymond e Koolmeier acreditam que os estudos precisam ser ainda mais aprofundados para que se entenda como elas teriam se formado e como teriam se fixado à bola rochosa de gelo maior.

A dúvida que fica também é quanto ao nome que esses pequenos corpos receberão. Algumas publicações e astrônomos estão falando em “luas luanres”, “lua-lua”, luazinhas e até mesmo em luazetes. Quem disse que os cientistas não tem senso se humor, não é mesmo?

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