Governo da Virgínia decretou Estado de emergência

Governo da Virgínia decretou Estado de emergência
Chet Strange/Getty Images – 8.7.2017

O primeiro aniversário da marcha de supremacistas brancos em Charlottesville, que terminou em um grande confronto com grupos antifascistas, colocou duas cidades dos Estados Unidos em estado de alerta. 

Para marcar o 12 de agosto, os supremacistas do grupo Unite the Right (Direita Unida), liderados por Jason Kessler estão se preparando para uma nova marcha, mas dessa vez em Washington, capital dos Estados Unidos.

O evento iria acontecer em Charlottesville, mas o governo local não emitiu a permissão para que a nova marcha acontecesse.

Por conta disso, Kessler mudou a localização e está convocando seus correligionários para uma marcha no parque Lafayette, ao lado da Casa Branca, em Washington, capital dos Estados Unidos. O evento vai se chamar Unite the Right 2 (Direita Unida 2)

A administração do parque afirma que a solicitação do evento dos grupos supremacistas brancos ainda está pendente.

Um porta-voz disse à rede de TV norte-americana Fox News que foram registradas “múltiplas solicitações” de eventos de caráter antifascista em resposta à marcha da Direita Unida.

Mesmo assim, Kessler imagina que conseguirá reunir cerca de 400 pessoas.

Proibições em Charlottesville

Mesmo com a nova marcha acontecendo em outro local, o governo de Charlottesville acredita que uma multidão pode se reunir na cidade.

O governador da Virgínia, Ralph Northam, e a cidade declararam Estado de Emergência na quarta-feira, uma medida que direciona ceca de R$ 7,6 milhões para esforços policiais e permite também convocar a Guarda Nacional.

Para evitar cenas violentas, como as que aconteceram no ano passado, a cidade já proibiu o uso de bastões, escudos e lança-chamas.

Uma lei do estado diz que armas de fogo não podem ser proibidas em lugares públicos.

O chefe de polícia da cidade, RaShall Brackney, disse que as pessoas que violam as leis não se importam com as ordens que foram impostas.

No ano passado, a própria polícia admitiu que os supremacistas brancos possuíam armamentos melhores que a força policial.

O que aconteceu em Charlottesville

A marcha de Charlottesville de 2017 aconteceu após a decisão tomada pelo governo de retirar uma estátua de Robert E. Lee, um líder confederado da época da Guerra Civil norte-americana. A estátua era considerada um símbolo racista pelos afro-americanos.

Jason Kessler convocou a marcha de supremacistas brancos. Centenas vieram de diversas partes dos EUA para a Virgínia.

Movimentos dos direitos civis da população negra como o Black Lives Matter (As Vidas Negras Importam) convocaram um contra protesto na mesma data.

Houve diversos confrontos e três pessoas morreram, incluindo dois policiais.

Heather Heyer, uma ativista que participava do contra-protesto convocado pelo movimento Black Lives Matter, se tornou um símbolo do movimento antifascista.

Ela morreu quando James Alex Fields, um supremacista branco, jogou seu carro contra os manifestantes negros e seus apoiadores. Fields está sendo processado por assassinato, tentativas de assassinato e crime de ódio.

Na época, o presidente Donald Trump condenou a “violência dos dois lados” e depois voltou atrás dizendo que “o racismo é mau”.