Candidatos se atacam na TV no 2º turno

Na estreia do horário eleitoral no rádio e na TV, Bolsonaro e Haddad ignoram a apresentação de propostas.

SELO-ELEIÇÕES-2018-100Na estreia no segundo turno do horário eleitoral em rádio e na TV,
ontem, os candidatos à Presidência Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro
(PSL) praticamente ignoraram a apresentação de propostas e se
concentraram em ataques mútuos.

O petista relacionou casos de agressões e violência a apoiadores de
Bolsonaro. O programa do candidato do PSL reforçou as críticas ao PT,
citou os regimes de Cuba e Venezuela e, em determinado trecho, fez um
paralelo entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e
condenado na Lava Jato, com “chefes do tráfico”.

No segundo turno, os dois candidatos terão direito a metade dos 20
minutos diários – divididos em dois blocos de 10 minutos – de propaganda
eleitoral no rádio e na TV.

Para Bolsonaro e Haddad, os cinco minutos em cada bloco representam um
tempo maior do que o disponível no primeiro turno Enquanto o petista
tinha direito a cerca de dois minutos e meio, a etapa final da disputa
presidencial representa praticamente a estreia do capitão reformado no
horário eleitoral Durante o primeiro turno, o candidato do PSL tinha
apenas 8 segundos de cada bloco de 12 minutos.

Até a votação em segundo turno, no dia 28, serão 13 dias do chamado palanque eletrônico.

O programa do PSL investiu fortemente no discurso antipetista. Na
narração, frases como “vermelho jamais foi a cor da esperança, é sinal
de alerta para o que não queremos no País” e “PT nunca mais”. O programa
comparou ainda o Brasil com Venezuela e Cuba, e citou a criação do Foro
de São Paulo como “a semente de um projeto de doutrinação”.

O vídeo exibiu depoimentos de apoiadores em que são feitas duras
críticas a Haddad e a Lula, que é chamado de “presidiário” e chega a ser
comparado com “chefe de tráfico”.

“A maioria dos chefes do tráfico comanda o morro através da prisão.
Haddad vai ser só um bonequinho e o Lula vai ser o cabeça de tudo”, diz
um apoiador. “Acho um absurdo um presidiário, que se está preso, é tão
bandido quanto qualquer outro”, afirma uma apoiadora.

O programa aproveita para apresentar Bolsonaro e repete o vídeo em que o
candidato do PSL, criticado por já ter dito que sua única filha – ele
tem outros quatro filhos homens – era resultado de “uma fraquejada”. No
trecho em que fala da menina, Bolsonaro se emociona.

‘Onda’. O programa de Haddad começa com uma narradora anunciando que uma
“onda de violência tomou conta do Brasil” e conta os casos que surgiram
durante a semana, como o assassinato de um mestre de capoeira na Bahia,
eleitor petista.

“Este é o Brasil de Bolsonaro. Se a violência já chegou neste nível,
imagina se ele fosse presidente”, diz a narradora. Em seguida, o
candidato petista dizendo que quer “um País de paz” e que “a nossa luta
(de sua campanha) é por democracia, que é e sempre será o melhor
caminho”.

A peça exibiu a imagem de Bolsonaro empunhando um tripé de uma câmera de
TV, em que simula uma metralhadora. A cena ocorreu no Acre, no início
de setembro. Na ocasião, após o gesto, o candidato do PSL disse que
“fuzilaria a petralhada”.

Haddad também tenta se descolar do sentimento antipetista quando diz que
“essa campanha não é de um partido, é de todos que querem mudar pra
melhor nosso País”.

O programa já incorporou as cores verde e amarelo e não se diz mais que
“Haddad é Lula”. A figura do ex-presidente só aparece em discurso
elogioso ao ex-prefeito, quando diz que “em 500 anos de Brasil, nunca
tivemos alguém com a capacidade do Haddad para fazer o que foi feito pra
educação neste País”.

30 segundos. Nos cinco minutos exibidos nos dois blocos da propaganda
eleitoral do PT, as propostas aparecem em apenas 30 segundos, quando são
citadas a proposta de criação de um ensino médio federal e promessas
genéricas: “emprego de novo”, salário mínimo forte” e outras. Na peça de
Bolsonaro, nenhuma proposta foi exibida.

O programa de rádio e de TV dos dois candidatos manteve o mesmo tom. A
única diferença foi a ausência do ex-presidente Lula nas transmissões de
rádio.