Buraco negro (Foto: Direito de imagemNASA/JPL-CALTECH)

Um telescópio da Estação Espacial Internacional captou imagens de um enorme jato de luz de raios-x a 10 mil anos-luz da Terra. Isto aconteceu em março de 2018 e deixou vários cientistas curiosos. O laboratório espacial — fruto de uma parceria de agências espaciais dos Estados Unidos, Japão, Rússia, Canadá e países europeus — agora tem conclusões a respeito do acontecimento: trata-se de um buraco negro, o MAXI J1820+070,  "devorando" uma estrela, um acontecimento inédito e excepcional.

Observado durante uma explosão, o MAXI J1820+070 emitiu rajadas de energia enquanto absorvia imensas quantidades de gás e poeira de uma estrela próxima a ele.

Erin Kara, astrônoma da Universidade de Maryland, explicou em entrevista à BBC News que buracos negros têm a capacidade de absorver e acumular elementos da superfície de estrelas — o que resulta na formação de um vórtice giratório chamado "disco de acreção" em torno do buraco.

"Às vezes, ocorre uma instabilidade, e uma avalanche desse material estelar cai no buraco negro, criando uma enorme energia e radiação, na forma de um jato de emissão de raios-x da região muito perto do buraco negro, chamado de coroa", conta a autora da descoberta divulgada na Sociedade Americana de Astronomia.

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O processo, em português claro, resume-se ao buraco negro "devorando" uma estrela para evoluir — e ajuda cientistas a entenderem melhor como isso acontece.

No decorrer de um mês, a coroa — um halo de elétrons altamente energizados ainda pouco entendido por especialistas — encolheu durante a absorção dos materiais estelares de 100 km de extensão para 10 km. Foi a primeira vez que cientistas observaram isso.

A explosão se destacou pelo brilho gerado no espaço com seus milhões de graus Celsius e durou aproximadamente um ano: uma quantidade equivalente a um Monte Everest de gás por segundo, de acordo com o pessoal da Estação. O buraco negro em questão é dez vezes maior que o sol.

O disco, por sua vez, permaneceu estável durante o processo, o que também é inédito para a ciência. Foi possível observar tudo acontecer em uma escala de tempo humana.

(Com informações de BBC News)

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