Embraer aceitou vender 80% de sua divisão comercial

Embraer aceitou vender 80% de sua divisão comercial
Divulgação/Embraer

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (4) que é favorável à aliança da Embraer com a norte-americana Boeing, mas disse ter preocupações sobre o futuro da companhia brasileira nos próximos anos.

“Seria muito bom essa fusão… mas é uma preocupação nossa daqui cinco anos tudo ser repassado para o outro lado. É um patrimônio nosso”, disse Bolsonaro, em breve entrevista a jornalistas durante evento na Base Aérea de Brasília.

“Sabemos da necessidade dessa fusão, até para que ela [Embraer] consiga competitividade…não venha a se perder com o tempo”, acrescentou Bolsonaro, sem informar quando e se usará o poder de veto da União sobre o negócio anunciado no ano passado.

A Embraer aceitou vender 80% de sua divisão de aviação comercial, a principal da empresa, para a Boeing. Um dispositivo do acordo permite que a Embraer possa mais adiante vender os 20% restantes à Boeing.

O acordo, que há meses aguarda aprovação de Brasília e já elevou o valor da divisão comercial da Embraer de US$ 4,75 bilhões para US$ 5,26 bilhões, envolve ainda uma parceria da Embraer com a Boeing para comercialização do cargueiro brasileiro KC-390, mas exclui os negócios da empresa brasileira nas áreas de aviação executiva ou de defesa.

Às 13h29, a ação da Embraer exibia queda de 1,4%. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,77%.

“Os comentários do Bolsonaro pesam um pouco… Qualquer ruído ou preocupação com a última proposta de fusão mexem na ação, embora não atrapalhem [o acordo]”, disse o analista da Guide Investimentos Rafael Passos. “Não vejo nenhum motivo para ele barrar a operação, mas é um ruído que mexe no papel.”

No final do ano passado, o TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) derrubou uma segunda liminar que suspendia a negociação entre a Embraer e a Boeing.