Floresta Amazônica não acompanha as mudanças climáticas (Foto: Wikipedia / Shao)

 

Uma equipe formada por mais de 100 cientistas vem avaliando o impacto do aquecimento global em milhares de espécies de árvores da Floresta Amazônica. O resultado, publicado no periódico Global Change Biology, mostrou que, nos últimos 30 anos, as espécies arbóreas estão tentando se adaptar às novas temperaturas, mas não conseguem fazê-lo rápido.

Liderada por cientistas da Universidade de Leeds, do Reino Unido, a pesquisa avaliou registros da Rede de Inventário da Floresta Amazônica (RAINFOR) para rastrear o desenvolvimento de cada árvore individualmente. A análise mostrou que desde a década de 1980, os efeitos das mudanças ambientais (como secas mais fortes, aumento de temperaturas e altos níveis de dióxido de carbono na atmosfera) têm impactado lentamente o crescimento e a mortalidade de alguma espécies.

De acordo com os pesquisadores, as árvores que são mais adaptadas a climas úmidos estão morrendo com maior frequência. Porém, as que estão mais acostumadas com climas secos não estão sendo capazes de substituí-las tão rápido.

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"A resposta do ecossistema está atrasada em relação à taxa de mudança climática. Os dados nos mostraram que as secas que atingiram a bacia amazônica nas últimas décadas tiveram sérias consequências para a composição da floresta, com maior mortalidade das espécies arbóreas mais vulneráveis", explicou Adriane Esquivel Muelbert, da Escola de Geografia de Leeds.

A equipe também concluiu que árvores de copa – que são aquelas bem altas que ficam em um nível superior às outras – se adaptaram melhor às mudanças climáticas e isso fez com que começassem a competir com as "baixinhas". Isso porque elas têm mais benefícios com o aumento do dióxido de carbono. Outras espécies arbóreas que estão se dando bem com essas alterações são as chamadas “pioneiras”, que são as que brotam rapidamente em clareiras deixadas por outras que morreram.

O coautor do estudo, Oliver Phillips, professor de Ecologia Tropical em Leeds e fundador da RAINFOR, declarou: "O aumento em algumas árvores pioneiras condiz com as mudanças observadas na dinâmica da floresta. Ele também pode, em última análise, ser impulsionado pelo aumento dos níveis de dióxido de carbono".

Já Kyle Dexter, da Universidade de Edimburgo, explicou que o impacto das alterações climáticas nas comunidades florestais tem consequências importantes para a biodiversidade das florestas tropicais. "As espécies mais vulneráveis às secas estão duplamente em risco, pois estão localizadas no coração da Amazônia, o que as torna mais propensas a serem extintas se esse processo continuar."

Os especialistas ressaltam que as descobertas mostram a necessidade de medidas rigorosas para proteger as partes da floresta que ainda estão intactas. "O desmatamento para agricultura e pecuária é conhecido por intensificar as secas nesta região, o que está aumentando os efeitos já causados pela mudança climática global", finaliza Dexter.

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