Bernard J. O’Keefe pode ser considerado um herói ou um monstro, mas para o bem ou para o mal ele é o responsável pela destruição de Nagasaki. O jovem alferes era um dos responsáveis pelas verificações finais na Fat Man, a bomba que seria lançada no dia seguinte na cidade japonesa. Os engenheiros pediam mais tempo para checagens finais, mas os militares estavam cientes de uma tempestade se aproximando, e era preciso lançar logo.

Exceto que se a bomba fosse usada como estava, ela não explodiria.

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Por volta de meia-noite O’Keefe resolveu fazer uma última inspeção e finalizar a montagem, mas pra seu horror descobriu que as quatro unidades de radar na traseira da bomba não podiam ser conectadas ao detonador, na frente.

Algum estagiário soldou os cabos errado. Ele colocou conectores fêmeas nas pontas de um dos cabos, e dois machos na ponta de outro, e como todo mundo sabe, homem com homem dá lobisomem, mulher com mulher dá jacaré mas nenhum dos dois dá uma reação de fissão nuclear.

Se ele acordasse os superiores, marcariam uma reunião pro dia seguinte, passariam dias apontando dedo e a bomba só seria lançada uns 15 dias depois. O’Keefe tomou uma decisão: chamou um técnico pra ajudar, eles mesmos iriam consertar a Bomba.

Era terminantemente proibido levar qualquer fonte de calor até a sala de montagem da bomba, com centenas de quilos de explosivos uma detonação acidental seria péssima, mesmo sem chance de desencadear a reação nuclear.

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A Bomba de Nagasaki, note a sigla JANCFU, significa “Joint Army-Navy-Civilian Fuck-Up” ou “cagada conjunta do exército-marinha-civils”. Pelo visto não havia muita confiança de que ela iria funcionar.

Como não havia nem tomada na sala, O’Keefe e o técnico arrumaram duas extensões, um ferro de solda e passaram horas remontando cuidadosamente os cabos. O resto é História.

Outras vezes não há tanta sorte. Que o diga o Proton-M que a Rússia tentou lançar em 2013 e resultou em uma linda explosão de US$ 1,3 bilhão.

Os projetistas perceberam que poderia haver uma confusão na instalação dos acelerômetros responsáveis por medir a velocidade angular e dizer se o foguete estava na direção e velocidade corretas, então colocaram setas apontando para cima. Não satisfeitos, reprojetaram a placa-base dos sensores para que ela tivesse pinos de fixação, e só pudesse ser instalada de um jeito.

Um jovem estagiário entendeu aquilo como um desafio, e com considerável esforço, durante a montagem do Proton-M conseguiu instalar nada menos que TRÊS conjuntos de acelerômetros de cabeça pra baixo. Não só ele ignorou as setas, como quando as placas não se encaixavam nos suportes ele largou a vodca por um momento, pegou uma marreta e sentou a lenha em modo full Jeremy Clarkson, martelando até os pinos entortarem e os parafusos encaixarem.

O resultado?

Puro Kerbal:


TheMrSuslov — Crash rocket “Proton-M” with 3 Glonass spacecraft / Аварийный пуск “Протон-М” 02.07.2013

Em close:


Martin Vit — Proton M rocket explosion July 2 2013 slow motion full HD

Essa semana foi a vez de a Bélgica pisar na bola. Durante uma manutenção de rotina na base aérea de Florennes algum estagiário esqueceu de revisar e respeitar os procedimentos de segurança, e cometeu um pequeno, ínfimo equívoco enquanto mexia no M61 Vulcan.

O M61 Vulcan é essa maquininha de fazer BBRRRRRTTT que equipa boa parte dos aviões de combate modernos:

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Ele usa munição de 20 mm, aqui um exemplo de um cartucho desses:

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Quando bem azeitado o Vulcan em um F-16 dispara 6.000 dessas por minuto, e isso estraga o dia de qualquer um. Por isso há uma série de travas de segurança para evitar que o canhão seja disparado acidentalmente, há até sensores de pressão que travam o bicho se o avião estiver em solo.

Isso não foi empecilho para nosso glorioso estagiário, que não contente em dar manutenção em uma aeronave municiada e com os sistemas elétricos ativos, ainda conseguiu sabe-se como comandar o disparo do canhão.

Na frente dele felizmente não havia ninguém. Só outro F-16 igualmente municiado e abastecido.

O resultado foi o pior possível. Um dos aviões foi totalmente destruído, o outro severamente danificado, veja como ficaram:

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Com um custo de até US$ 38 milhões, um F-16 não é nada barato pra ser perdido numa pataquada dessas. Dois técnicos ficaram feridos, e a única fonte de consolo é que o estagiário está quase se classificando para ás, basta destruir mais uns 2 ou 3 aviões.

Fonte: Aviation24.

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