Hoje, 14 de março, faz um ano que Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados no Rio de Janeiro, na saída de um evento. Desde então, a vereadora do PSOL, que tornou-se um símbolo da luta feminina, negra e LGBTQ+, tem sido alvo de mentiras, notícias falsas e comentários de ódio. Mas, embora ela não esteja mais entre nós, suas lutas, opiniões e discursam permanecem na memória brasileira. Por isso, a CAPRICHO reuniu algumas das frases mais marcantes da ativista.

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1. “Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”, em um tweet um dia antes de morrer.
Um dia antes de ser assassinada, Marielle desabafou em uma rede social sobre a longa e sangrenta guerra do tráfico em comunidades do Rio de Janeiro que, na época, havia tirado a vida de Matheus Melo. Quantos inocentes morrem dessa mesma forma?

2. “É preciso garantir que as favelas sejam também cidades. Já que elas estão por todo o município”, em entrevista ao GLOBO, em 2016.
Nascida e criada no Complexo da Maré, região com muitas comunidades cariocas, Marielle entrou na política após perder uma amiga, vítima de bala perdida. Defensora de campanhas contra a violência policial nas favelas, a vereadora dedicava boa parte do seu tempo para lutar pelos direitos de quem mora nas periferias e sofre com a violência no local, especialmente no Rio de Janeiro. Já que ela, “Cria da Maré”, sabia bem o que era isso.

3. “É preciso romper com a naturalização do assédio no carnaval”, em um artigo opinativo publicado no GLOBO.
Em texto escrito no mês de fevereiro, Marielle comentou os inúmeros casos de assédio sexual que ocorrem durante o Carnaval. Sempre na luta pelas mulheres, a ativista foi responsável por propor o projeto de lei #AsssédioNãoÉPassageiro, para reforçar as denúncias contra os assédios que ocorrem nos transportes públicos do Rio.

4. “Me proponho a atuar coletivamente para garantir direitos num espaço tão machista como o Estado”, em discurso durante a campanha eleitoral, em 2016.
E ela cumpriu o que disse. Enquanto podia, Marielle sempre fazia o possível para trazer pautas femininas, especialmente mulheres negras e lésbicas, para as discussões da Câmara, como Presidente da Comissão de Defesa da Mulher.

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5. “Ser mulher negra é resistir e sobreviver o tempo todo”, em entrevista ao Brasil de Fato durante a jornada de lutas das mulheres, em 2017.
Na política, Marielle buscava chamar atenção para o que é ser uma mulher no Brasil, que está na base da pirâmide de todas as áreas. Pior, uma mulher negra. “As pessoas olham para os nossos corpos nos diminuindo, investigam se debaixo do turbante tem droga ou piolho, negam a nossa existência”, disse.

6. “As rosas da resistência nascem no asfalto. A gente recebe rosas, mas vamos estar com o punho cerrado falando de nossa existência contra os mandos e desmandos que afetam nossas vidas”, durante um pronunciamento sobre o Dia Internacional da Mulher, no plenário da Câmara dos Vereadores do Rio, em 2018.
Para Marielle, o mês da mulher, março, deveria ser visto como um mês de luta. Luta contra todas as violações, abusos, assédios e tantos direitos que as mulheres ainda precisam lutar para serem vistas como iguais, não inferiores.

7. “Falar de igualdade entre mulheres e homens, meninas e meninos, é falar pela vida daquelas que não puderam ainda se defender da violência”, discurso que Marielle não teve a chance de fazer na votação do Plano Municipal de Educação.
A votação aconteceu dias depois da vereadora ter sido assassinada, mas seu discurso já estava pronto. “Ainda que ganhemos salários menores, que estejamos em cargos mais baixos, que passemos por jornadas triplas, que sejamos subjulgadas pelas nossas roupas, violentadas sexualmente, fisicamente e psicologicamente, mortas diariamente pelos nossos companheiros, nós não vamos nos calar: as nossas vidas importam!”, diz um trecho. Teria sido um discurso lindo!

Marielle se foi, mas suas ideias e lutas continuam. #MariellePresente