"Você não me conhece? Não vou fugir das pancadas, não. Não tem problema eu já estar vendido para o Manchester City. Eu devo muito ao Palmeiras. Aliás, devo tudo. Antes desse clube, eu não era ninguém. Quero sair do Brasil com o time campeão. Se tiver de tomar umas raladas, vamos tomar. Não sou pipoqueiro, não. Quanto mais me batem, mais vou para cima. Sinal que estou incomodando."

Era assim, que Gabriel Jesus fazia sua promessa durante a Olimpíada. Jurava que pouco importava já ter sido vendido por 32 milhões de euros, cerca de R$ 116 milhões. E ter assinado um contrato de cinco anos. O jogador de 19 anos se impôs essa missão, ser fundamental para o Palmeiras acabar com o jejum de 22 anos sem o Campeonato Nacional.

Até mesmo no Conselho de Orientação Fiscal, pessoas importantes duvidavam dessa promessa. E acreditavam que seria melhor o Palmeiras ter entregue o jogador. Mas Cuca convenceu Paulo Nobre a só fechar a transação se entregasse o garoto após o Brasileiro. E foi o que conseguiu.

Mas a dúvida acabou no seu retorno contra o Fluminense. Ele foi caçado em campo. Quanto mais tomava pontapés, mais partia para cima dos zagueiros e volantes do time carioca. Dividia com raiva. Expunha suas valiosas pernas sem medo. Encarou a melhor defesa do Brasileiro sem titubear. Tanto não 'tirou o pé' que sua chuteira direita saiu rasgada. Pisão de Gum.

Os vividos jogadores do Fluminense tentavam intimidá-lo, mesmo quando faziam faltas. Ele se levantava e os encarava sem medo. Teve um comportamento exemplar na fundamental vitória do líder Palmeiras diante do time carioca, em Brasília.

"Imaginava (que tomaria pontapés), mas hoje foi brincadeira. Rasgaram até a minha chuteira. Não tenho culpa se eles me batem", dizia, Gabriel Jesus, demonstrando uma alegria juvenil.

O líder Palmeiras se tornou um assumido e fiel dependente de Gabriel Jesus. Com ele na Olimpíada, o Palmeiras teve três vitórias, três derrotas e dois empates. Conseguiu 41% dos pontos que disputou. Com ele, a história é outra. Ganhou nada menos do que 72% dos pontos.

E Gabriel Jesus cumpriu seu papel hoje outra vez em Brasília. Sua presença foi fundamental para atrair a marcação e dar espaço para seus companheiros. Para os gols de Dudu e Jean. Atuando bem diferente do que fazia na Seleção Brasileira de Rogério Micale, ele pôde mostrar que os britânicos não tiveram um acesso de insanidade ao gastar tanto dinheiro para comprá-lo.

Nos Jogos Olímpicos ficou engessado por causa de Neymar. Tinha o meio e a direita para se revezar com Gabriel Barbosa. No Palmeiras, não. Cuca o liberou para atuar do meio de campo para a frente. Onde quisesse. Corria, atraia volantes e incomodava os zagueiros de Levir Culpi.

O líder Palmeiras é outro com Gabriel Jesus. O garoto de R$ 116 milhões foi fundamental na vitória contra o Fluminense. O troféu que levou, feliz, para a Seleção foi a chuteira, rasgada pelas travas de Gum.

"O Gabriel Jesus era o grande nome do jogo, selecionável e tal. Para marcar ele é difícil, o Gum e o Henrique tentaram encaixar. Ele é jovem, jogou contra dois experientes, isso serve de aprendizado. Temos de desfrutar esse potencial dele até o fim do ano. Hoje ele não fez nenhum gol, mas abre muito espaço, busca a bola, tromba, faz o pivô, a proteção, e no mano a mano é muito importante para nós, é quem dá aquela velocidade final", elogiava Cuca.

Além da gratidão ao Palmeiras, Gabriel Jesus tem outro motivo para seguir dando a alma nos jogos. O acompanhamento de Pep Guardiola. O treinador do Manchester City faz questão de que representantes do clube britânico no Brasil enviem relatórios constantes sobre as atuações do jogador.

Guardiola acredita demais no potencial do meia atacante. Tanto que insistiu pessoalmente na sua contratação. O staff do jogador avisa que o espanhol fez questão de parabenizá-lo pelo ouro olímpico. O quer cada vez mais confiante para quando chegar na Inglaterra. E quer também que jogue sério. Não se poupe. O deseja em pleno ritmo de competição. Ao desembarcar em Manchester, o Campeonato Inglês e a Champions League estarão entrando no sua fase decisiva.

O líder Palmeiras é outro com Gabriel Jesus. O garoto de R$ 116 milhões foi fundamental na vitória contra o Fluminense. O troféu que levou, feliz, para a Seleção foi a chuteira, rasgada pelas travas de Gum.

Nada é por acaso com um jogador de R$ 116 milhões.

Agora, há a Seleção. Tite o chamou para enfrentar o Equador e a Colômbia. A convocação para o time principal do Brasil também é um grande estímulo. "Eu vou para dar o meu melhor. Quero ajudar no que o Tite precisar. Estou animado demais com a convocação. Quero aproveitar a chance e começar a fazer parte do grupo", diz, Gabriel.

Ele vive o seu melhor momento na carreira.

Gabriel Jesus é a maior promessa do futebol brasileiro depois do surgimento de Neymar. E, por enquanto, não se deixou levar pelo ego, como o ex-santista.

"Sou um cara simples, sem frescura. Não tem essa história de máscara comigo, não. Quero saber de jogar futebol, ajudar o meu time, a minha Seleção. Ser útil. Sou jogador de futebol."

Tomara que ele não mude.

Pelo menos dentro do campo, segue o mesmo jogador, sedento de vitórias. Que não se atemoriza com ameaças, palavrões e caretas de zagueiros e volantes.

Mesmo sem ter jogado oito rodadas, segue artilheiro do Brasileiro, com dez gols. Foi alcançado apenas hoje por Robinho, do Atlético Mineiro.

O líder Palmeiras é outro com Gabriel Jesus. O garoto de R$ 116 milhões foi fundamental na vitória contra o Fluminense. O troféu que levou, feliz, para a Seleção foi a chuteira, rasgada pelas travas de Gum.

Gabriel Jesus hoje não conseguiu marcar.

Apesar, de fundamental na vitória do líder Palmeiras.

O troféu que leva para casa é outro.

O rasgo na moderna chuteira alaranjada.

'Presente' das travas dos pés de Gum.

Guardiola vai saber de mais esta ótima partida.

E o aguarda, ansioso.

Antes, Tite, contra equatorianos e colombianos.

A Cuca, só resta esperar.

E torcer que nada aconteça com seu camisa 33.

Porque, uma revelação.

Mesmo que enfrente os colombianos, no dia 6, em Manaus...

O técnico palmeirense quer Gabriel Jesus dia 7 em campo.

Contra o São Paulo, no Palestra.

E o meia atacante já falou que quer jogar.

Esse garoto de R$ 116 milhões não merece ser chamado de pipoqueiro...

O líder Palmeiras é outro com Gabriel Jesus. O garoto de R$ 116 milhões foi fundamental na vitória contra o Fluminense. O troféu que levou, feliz, para a Seleção foi a chuteira, rasgada pelas travas de Gum.