O São Paulo decidiu fechar seus treinos até sexta-feira. A imprensa está barrada. Ninguém terá acesso aos jogadores, a Ricardo Gomes, aos dirigentes. É uma maneira de a equipe tentar se fechar, buscar escapar do rebaixamento. O policiamento estará reforçado.

Só que quando parece que a situação já ficou constrangedora demais, após a invasão dos torcedores, o vexame aumenta.

"Só acho engraçado que recebi, em grupos de whatsapp de diretores do São Paulo, eu tenho essas mensagens, vocês podem usar em matérias, me xingando, me ameaçando, falando que sou homossexual e o caramba.

Isso não me atinge.

"Agora, eles podem me falar que eu sou "veado" né? Atingindo de uma forma moral e eu fiquei quieto, não movi nenhuma ação contra isso. Agora, se eu falei alguma coisa demais e alguém se ofendeu, se a carapuça serviu, não posso fazer nada. Eu também fui atingido. Eu dei minha opinião. Não falei de determinadas pessoas especificamente."

As palavras são de Henri Castelli, revelando que dirigentes do São Paulo se revoltaram com o vídeo que fez conclamando os torcedores a protestarem no sábado, no CCT. Haveria maneiras de mostrar essa insatisfação, mas chamar o ator de homossexual é baixo demais.

Leco até abriu a possibilidade de processá-lo, expulsá-lo do clube, já que é sócio. Isso seria digno, respeitável. Mas membros da diretoria simplesmente xingar Castelli não leva a nada. A não ser mais constrangimento.

A transcrição da parte do vídeo que revoltou os dirigentes.

"Para você que é são-paulino de verdade, que vai na arquibancada, que torce, que pega seu dinheiro do mês, que às vezes falta no trabalho para ver o jogo e há mais de 10 anos vem sofrendo com a corrupção dentro da diretoria do São Paulo, com a incompetência, com esse bando de safados e vagabundo que usa o clube para se promover, para objetivo pessoal, com esse time medíocre que já vem acompanhando há 10 anos já. A nossa torcida não aguenta mais."

Castelli, que não foi no protesto 'por estar trabalhando no Rio' toca em outro assunto que desperta muita polêmica. Cresce a versão de que os portões não foram arrombados e sim abertos aos vândalos.

"É muito estranho, será que alguém abriu o portão? Não teve arrombamento de cadeado, ninguém pulou muro, a polícia estava lá e ninguém foi preso. Agora, a manifestação era para acontecer do lado de fora. Dentro é errado, não era para ter acontecido isso. Mas, quem abriu o portão? Não tem imagem de ninguém forçando o portão para entrar. Então, acho que a diretoria deveria esclarecer isso também."

Leco não pode dar seu testemunho.

Por um motivo muito simples.

Na hora da invasão, ele estava muito longe dali.

Em Cotia.

Por coincidência, enquanto mais de 500 membros das organizadas invadiam o CCT, ele estava a 45 quilômetros de distância. Inaugurando um busto em homenagem ao falecido presidente Juvenal Juvêncio.

Pura coincidência, lógico.

Apesar de o protesto ter sido anunciado dois dias antes.

Mas foi coincidência, o presidente estar tão longe.

A vida é feita de coincidências...

Ofensas e portões abertos...