Não é só seu padrinho político, o ex-presidente Lula, que vive seu inferno astral. Este sábado, 27 de agosto, tem tudo para ser histórico. Marcar o fim de grande parte do poder de Andrés Sanchez no Corinthians. Com algo totalmente antidemocrático, que garantia que sua palavra virasse lei no Parque São Jorge. Uma invenção absurda batizada de Chapão.

Nem Maquiavel pensaria em tamanho casuísmo. Desde 2008, quando Andrés ganhou o poder no Corinthians, foi criado um absurdo sistema de votação. Digno da Coréia do Norte. Desde então, o presidente garantiria não só sua eleição. Mas também a de 200 conselheiros, mais 50 suplentes. Escolhidos por ele. Ou seja, a base eleitoral que o sustentaria durante o mandato.

Como Andrés era apresentado como a revolução no clube, apesar de ter sido o responsável pelo futebol na última era Dualib, venceu tranquilamente a eleição. E se aproveitou desse apoio que foi batizado de 'chapão'.

Desde que o sistema começou, Andrés fez o que quis no Corinthians. Modernizou o clube, mudou estatuto. Fez seus sucessores, sem perder poder. O grande erro foi a aprovação do sistema de pagamento da bilionária arena. Essa foi a brecha que unificou a oposição. E também irritou grande parte da situação.

Só quando conselheiros viram que o Corinthians mergulhou em uma dívida de R$ 1,6 bilhão, revelada pela imprensa, decidiram se rebelar para dividir o poder no clube. Uma pessoa não poderia seguir agindo como se o Corinthians fosse seu.

Andrés manteve a postura ditatorial nos últimos oito anos também por causa da fraquíssima oposição. Não há renovação. Roque Citadini foi vice presidente de Alberto Dualib entre 2001 e 2004. Desde então virou sua obsessão tirar o poder de Andrés e seus companheiros, aliados às organizadas.

Sem propostas realistas ou força, o máximo que os opositores conseguiram vazar informações do clube a blogs e consolidar o apelido de 'baixo clero' aos atuais dirigentes. Puro rancor insipiente.

Andrés Sanchez perto de sofrer sua maior derrota política no Corinthians. O fim do inacreditável 'Chapão'. O sábado promete ser histórico...

Não é por causa de Citadini ou Paulo Garcia, dono da Kalunga, e eterno candidato à presidência, que o Chapão terminará. O movimento nasceu de uma revolta de quem quer participar da vida corintiana. E não tem qualquer ligação com Andrés e seu grupo.

O ideal para a democracia seria que cada conselheiro fosse escolhido individualmente. Ou seja, dentre os inúmeros candidatos, os que tivessem mais votos em uma eleição ocupariam o cargo. Como é normal em quase todos os clubes do mundo. Mas no Corinthians não é esta a única opção para enfrentar o fim do Chapão.

Há ainda a chance de que candidatos formem grupos de 25. O que já é bizarro. As pessoas são diferentes. E a situação poderia apenas dispersar os duzentos do Chapão. Os dividirem em oito grupos. Pode ser pior. Chapas de 50 a 200 candidatos. Ou a já fracassada manutenção de chapas com 200 candidatos.

Outro item que também será objeto de discussão e que pode mudar muita coisa na cúpula do clube: a criação da 'ficha limpa'. Candidatos, com problemas na justiça, não poderiam ser se candidatar à coisa alguma por oito anos. Por incrível que pareça há muita oposição a este tema. E de pessoas importantes.

De qualquer maneira, só a união sobre o fim do Chapão é um grande passo em direção à democracia no Corinthians. Ao fim do absolutismo. Ninguém é e nem pode agir como dono do clube.

Basta os sócios terem coragem.

E enfrentar a ditadura.

O casuísmo.

Aceitar a criação do Chapão foi algo vergonhoso.

O Corinthians já desrespeitou demais sua história...

(E veio a derrota. Andrés tentou, em discurso, tentou manter o sistema retrógrado. Propôs que se o presidente fosse eleito com 60% dos votos dos associados, teria o mesmo número de cadeiras no Conselho. A vitória seria proporcional. Foi vaiado. E venceram as 'chapinhas'. Os sócios que quiserem ser conselheiros precisam se reunir em grupos de 25. Não é o ideal. Mas foi um passo decisivo em direção à democracia, à oposição mais forte. Enorme derrota de Andrés...)
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